2º dia, segunda feira, 16 dez 13
A segunda feira amanheceu
promissora, temperatura amena, céu claro e sem nuvens, nenhuma neblina, o que
indicava que teríamos condições excelentes em nosso passeio.
O programa do dia era deixar
Urubici, visitar o Morro da Igreja, seguir em frente descendo a Serra do Corvo
Branco para então contornar pela parte baixa da serra, cruzando os municípios
de Grão-Pará, Orleans e Lauro Muller para então subir novamente pela famosa
Serra do Rio do Rastro, de onde seguiríamos até São Joaquim onde passaríamos a
noite, num trajeto total de aproximadamente 210 km.
Após um reforçado e saboroso café
nos despedimos da Pousada das Flores. Desde fins de 2013, a visitação ao Morro
da Igreja é controlada e é preciso obter antecipadamente uma permissão, que é
concedida na sede do Parque Nacional de São Joaquim. A sede fica localizada na
cidade de Urubici, bem próximo ao Banco do Brasil e Urubici Park Hotel, e
atende todos os dias em horário comercial.
A permissão não tem custo e nos foi
concedida em minutos, junto com algumas instruções de visitação ao parque. A
medida tem por objetivo restringir o acesso excessivo de turistas
principalmente em feriados prolongados, quando a pequena e estreita estrada de
acesso ao Morro da Igreja acaba ficando congestionada e não há lugar para
estacionar junto ao mirante no alto do morro.
Após deixarmos Urubici, seguimos uma
estrada de asfalto novo por 12 km até o acesso ao Morro da Igreja, de onde
começa a subida de 15 km que leva ao alto do morro, onde está o mirante e a
famosa Pedra Furada, a mais de 1800 m de altitude.
A caminho do Morro da Igreja, com tempo bom e céu azul
À medida que subíamos em direção
ao Morro da Igreja, uma surpresa: neblina, muita neblina! Já na metade da subida estava claro que não
veríamos nada lá em cima, o topo do morro estava completamente encoberto numa
espessa nuvem de neblina. Mesmo assim seguimos, estacionamos o carro no alto do
morro e curtimos o frio, o vento, o silencio e a neblina da montanha. A Pedra
Furada estava lá............mas não vimos nada, fica para a próxima vez.
No alto do Morro da Igreja, visibilidade zero e muita neblina
Na descida do morro visitamos a
Cascata Véu de Noiva, que fica junto à estrada de acesso, em área particular. O
acesso também é pago, algo como R$ 5,00 por pessoa.
Saindo da estrada de acesso ao
Morro da Igreja e virando à direita, seguimos então, agora por estrada de terra
estreita e esburacada, por mais 15 km até a Serra do Corvo Branco.
A Serra do Corvo Branco é uma
espécie de “versão mais radical” da conhecida Serra do Rio do Rastro. Quando o
visitante chega ao Corvo Branco, dá de cara com um “portal”, uma passagem, um
imenso e impressionante corte em meio às rochas por onde passa a estrada.
O portal da Serra do Corvo Branco
O corte, considerado o maior em
rocha realizado no país, tem altura de 90 metros. Após o “portal”, há uma
sequencia impressionante de curvas em um desnível extremamente acentuado. Este
trecho, devido a sua dificuldade, foi pavimentado. Porém o restante da estrada
é toda de pedra, muito estreita e obviamente sem qualquer tipo de proteção ou
“guard rail” nas curvas.
Curvas acentuadas e em forte desnivel na parte mais alta da Serra do Corvo Branco
Apesar da dificuldade, caminhões madeireiros encaram a serra e suas curvas
Após a descida do Corvo Branco, a
condição da estrada piora de vez e se torna, para nossa surpresa, quase
intransitável. Na verdade o trecho de estrada entre Grã-Pará e a Serra do Corvo
Branco está em fase inicial de pavimentação, o que significa que em muitos
trechos a estrada está sofrendo terraplenagem, aterro, desvios estão sendo
construídos etc.
Fim da pavimentação na "parte alta" do Corvo Branco. Daqui para frente, pedras e muitos buracos
Por diversas vezes tivemos de dividir a estrada com
motoniveladoras, caçambas e tratores. Alguns trechos estão quase impraticáveis,
felizmente de 4x4 tudo fica mais tranquilo, mas se estivéssemos de carro de
passeio normal, teríamos passado algum apuro. Este imprevisto nos atrasou
bastante a viagem, e acabamos chegando a Grão-Pará quase na metade da tarde.
Apesar da dificuldade da estrada, as paisagens na descida do Corvo Branco compensam o esforço
Já com fome, fizemos um lanche em um posto de combustível na
cidade e seguimos em frente, cruzando uma região urbana composta pelos
municípios de Braço do Norte, Orleans e Lauro Muller, seguindo em direção à
SC-390, a conhecida estrada da Serra do Rio do Rastro.
Esta travessia de cidades foi um anti-climax no nosso
passeio, áreas urbanas, sinaleiras, transito pesado, são coisas que não
combinam com férias e montanha, e tudo que eu queria era deixar para trás estas
cidades e subir a serra novamente.
Após a descida da região do Corvo Branco o tempo estava
completamente aberto, céu azul e claro, nada de neblina. Foi com este tempo
aberto e bonito que começamos finalmente a vencer os 7 km de subida que levam
ao alto da Serra do Rio do Rastro e seus 1.420m de altitude.
Subindo a Serra do Rio do Rastro
Surpresa nº 2 do dia....a medida que vencíamos as curvas e o
GPS mostrava que ganhávamos altitude, a neblina, a mesma que vimos no Morro da
Igreja, retornou com toda sua força encobrindo tudo ao redor. Nos quilômetros
finais da subida já não era possível enxergar nada além do carro, visibilidade
“zero”.
Chegando ao alto da Serra do Rio do Rastro
Neblina tomando conta da paisagem
Paramos no mirante da Serra do Rio do Rastro para “admirar a
paisagem”. A temperatura lá em cima era de 16ºC e para nossa surpresa, enquanto
tomávamos um café quente na lanchonete do mirante, começou a chover. Chuva,
neblina e vento forte, que combinação ! Sem muito mais a fazer, tiramos algumas
fotos, e voltamos ao carro para seguir em direção a nosso destino final, São
Joaquim.
Neblina encobrindo tudo no mirante da Serra do Rio do Rastro
Esta era a paisagem que queriamos ver
Além de neblina, friozinho e um "agradável" chuvisqueiro
A serra e os cânions são um ambiente único e imprevisível
para quem não está acostumado a seu clima mesmo....deixando o mirante do Rio do
Rastro para trás, em poucos quilômetros a neblina sumiu completamente e o tempo
abriu. Seguimos por mais 55 km até a cidade de São Joaquim.
No caminho, uma parada para admirar e fotografar a bonita
cascata localizada à margem da estrada.
A pequena São Joaquim -
http://turismo.saojoaquim.sc.gov.br/
- é uma cidade que aparentemente já viveu dias melhores. Embalada pelo frio e
pela frequentes quedas de neve no alto do inverno, São Joaquim viveu uma época
de bastante projeção turística que trouxe algum desenvolvimento à cidade.
A cidade, que durante muito tempo foi anunciada como a “mais
fria do Brasil”, hoje porém aparenta viver um período de declínio, os hotéis são
os mesmos que conheci quando visitei a cidade pela primeira vez, no distante
1996, porém hoje estão mais velhos. A manutenção e as necessárias reformas não
vieram com o tempo. As praças e o cuidado visual com a própria cidade vão nesta
mesma linha. Hoje, São Joaquim é basicamente uma pequena cidade serrana que
vive da safra da maçã e de algum fluxo de turismo nos meses de inverno.
Nos hospedamos no Incomol Park Hotel -
http://hotelincomol.com.br/, situado na
entrada da cidade junto a estrada que leva a Lages. Como dica, escolher sempre
os quartos dos fundos, pois os da frente ficam junto à estrada e expostos ao
barulho do transito constante de caminhões e ônibus. Os quartos dos fundos são
bons, limpos e absolutamente impessoais na decoração. Os quartos tem calefação
e chuveiro a gás, o que garante algum conforto e nos proporcionou um belo e
demorado banho após um longo dia de estrada.
Para nosso jantar, após rodarmos um pouco pela cidade e
avaliarmos as opções disponíveis, decidimos pela que nos pareceu ser a melhor
opção, o restaurante Vento Minuano Grill. A escolha foi 100% acertada, o buffet
de massas e grelhados estava excelente, e com acompanhamento de uma boa taça de
vinho, foi a recompensa e o brinde pela viagem e pelas aventuras vividas até
aqui. Amanhã seguimos para São José dos Ausentes, e de lá para casa.