"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor."

Amyr Klink

quinta-feira, 3 de abril de 2014

URUBICI E SERRA DO RIO DO RASTRO, DEZEMBRO DE 2013, 2º DIA

2º dia, segunda feira, 16 dez 13


   A segunda feira amanheceu promissora, temperatura amena, céu claro e sem nuvens, nenhuma neblina, o que indicava que teríamos condições excelentes em nosso passeio.
   O programa do dia era deixar Urubici, visitar o Morro da Igreja, seguir em frente descendo a Serra do Corvo Branco para então contornar pela parte baixa da serra, cruzando os municípios de Grão-Pará, Orleans e Lauro Muller para então subir novamente pela famosa Serra do Rio do Rastro, de onde seguiríamos até São Joaquim onde passaríamos a noite, num trajeto total de aproximadamente 210 km.

   Após um reforçado e saboroso café nos despedimos da Pousada das Flores. Desde fins de 2013, a visitação ao Morro da Igreja é controlada e é preciso obter antecipadamente uma permissão, que é concedida na sede do Parque Nacional de São Joaquim. A sede fica localizada na cidade de Urubici, bem próximo ao Banco do Brasil e Urubici Park Hotel, e atende todos os dias em horário comercial. 
   A permissão não tem custo e nos foi concedida em minutos, junto com algumas instruções de visitação ao parque. A medida tem por objetivo restringir o acesso excessivo de turistas principalmente em feriados prolongados, quando a pequena e estreita estrada de acesso ao Morro da Igreja acaba ficando congestionada e não há lugar para estacionar junto ao mirante no alto do morro.

   Após deixarmos Urubici, seguimos uma estrada de asfalto novo por 12 km até o acesso ao Morro da Igreja, de onde começa a subida de 15 km que leva ao alto do morro, onde está o mirante e a famosa Pedra Furada, a mais de 1800 m de altitude.

A caminho do Morro da Igreja, com tempo bom e céu azul

    À medida que subíamos em direção ao Morro da Igreja, uma surpresa: neblina, muita neblina!  Já na metade da subida estava claro que não veríamos nada lá em cima, o topo do morro estava completamente encoberto numa espessa nuvem de neblina. Mesmo assim seguimos, estacionamos o carro no alto do morro e curtimos o frio, o vento, o silencio e a neblina da montanha. A Pedra Furada estava lá............mas não vimos nada, fica para a próxima vez.

No alto do Morro da Igreja, visibilidade zero e muita neblina


    Na descida do morro visitamos a Cascata Véu de Noiva, que fica junto à estrada de acesso, em área particular. O acesso também é pago, algo como R$ 5,00 por pessoa.


   Saindo da estrada de acesso ao Morro da Igreja e virando à direita, seguimos então, agora por estrada de terra estreita e esburacada, por mais 15 km até a Serra do Corvo Branco.


    A Serra do Corvo Branco é uma espécie de “versão mais radical” da conhecida Serra do Rio do Rastro. Quando o visitante chega ao Corvo Branco, dá de cara com um “portal”, uma passagem, um imenso e impressionante corte em meio às rochas por onde passa a estrada.

O portal da Serra do Corvo Branco


   O corte, considerado o maior em rocha realizado no país, tem altura de 90 metros. Após o “portal”, há uma sequencia impressionante de curvas em um desnível extremamente acentuado. Este trecho, devido a sua dificuldade, foi pavimentado. Porém o restante da estrada é toda de pedra, muito estreita e obviamente sem qualquer tipo de proteção ou “guard rail” nas curvas.

Curvas acentuadas e em forte desnivel na parte mais alta da Serra do Corvo Branco

Apesar da dificuldade, caminhões madeireiros encaram a serra e suas curvas

   Após a descida do Corvo Branco, a condição da estrada piora de vez e se torna, para nossa surpresa, quase intransitável. Na verdade o trecho de estrada entre Grã-Pará e a Serra do Corvo Branco está em fase inicial de pavimentação, o que significa que em muitos trechos a estrada está sofrendo terraplenagem, aterro, desvios estão sendo construídos etc. 

Fim da pavimentação na "parte alta" do Corvo Branco. Daqui para frente, pedras e muitos buracos

   Por diversas vezes tivemos de dividir a estrada com motoniveladoras, caçambas e tratores. Alguns trechos estão quase impraticáveis, felizmente de 4x4 tudo fica mais tranquilo, mas se estivéssemos de carro de passeio normal, teríamos passado algum apuro. Este imprevisto nos atrasou bastante a viagem, e acabamos chegando a Grão-Pará quase na metade da tarde.

Apesar da dificuldade da estrada, as paisagens na descida do Corvo Branco compensam o esforço

    Já com fome, fizemos um lanche em um posto de combustível na cidade e seguimos em frente, cruzando uma região urbana composta pelos municípios de Braço do Norte, Orleans e Lauro Muller, seguindo em direção à SC-390, a conhecida estrada da Serra do Rio do Rastro.
   Esta travessia de cidades foi um anti-climax no nosso passeio, áreas urbanas, sinaleiras, transito pesado, são coisas que não combinam com férias e montanha, e tudo que eu queria era deixar para trás estas cidades e subir a serra novamente.

   Após a descida da região do Corvo Branco o tempo estava completamente aberto, céu azul e claro, nada de neblina. Foi com este tempo aberto e bonito que começamos finalmente a vencer os 7 km de subida que levam ao alto da Serra do Rio do Rastro e seus 1.420m de altitude.

Subindo a Serra do Rio do Rastro

   Surpresa nº 2 do dia....a medida que vencíamos as curvas e o GPS mostrava que ganhávamos altitude, a neblina, a mesma que vimos no Morro da Igreja, retornou com toda sua força encobrindo tudo ao redor. Nos quilômetros finais da subida já não era possível enxergar nada além do carro, visibilidade “zero”.

Chegando ao alto da Serra do Rio do Rastro

Neblina tomando conta da paisagem

   Paramos no mirante da Serra do Rio do Rastro para “admirar a paisagem”. A temperatura lá em cima era de 16ºC e para nossa surpresa, enquanto tomávamos um café quente na lanchonete do mirante, começou a chover. Chuva, neblina e vento forte, que combinação ! Sem muito mais a fazer, tiramos algumas fotos, e voltamos ao carro para seguir em direção a nosso destino final, São Joaquim.

Neblina encobrindo tudo no mirante da Serra do Rio do Rastro

Esta era a paisagem que queriamos ver

Além de neblina, friozinho e um "agradável" chuvisqueiro

    A serra e os cânions são um ambiente único e imprevisível para quem não está acostumado a seu clima mesmo....deixando o mirante do Rio do Rastro para trás, em poucos quilômetros a neblina sumiu completamente e o tempo abriu. Seguimos por mais 55 km até a cidade de São Joaquim.
   No caminho, uma parada para admirar e fotografar a bonita cascata localizada à margem da estrada.


   A pequena São Joaquim  - http://turismo.saojoaquim.sc.gov.br/ - é uma cidade que aparentemente já viveu dias melhores. Embalada pelo frio e pela frequentes quedas de neve no alto do inverno, São Joaquim viveu uma época de bastante projeção turística que trouxe algum desenvolvimento à cidade.

   A cidade, que durante muito tempo foi anunciada como a “mais fria do Brasil”, hoje porém aparenta viver um período de declínio, os hotéis são os mesmos que conheci quando visitei a cidade pela primeira vez, no distante 1996, porém hoje estão mais velhos. A manutenção e as necessárias reformas não vieram com o tempo. As praças e o cuidado visual com a própria cidade vão nesta mesma linha. Hoje, São Joaquim é basicamente uma pequena cidade serrana que vive da safra da maçã e de algum fluxo de turismo nos meses de inverno.

   Nos hospedamos no Incomol Park Hotel - http://hotelincomol.com.br/, situado na entrada da cidade junto a estrada que leva a Lages. Como dica, escolher sempre os quartos dos fundos, pois os da frente ficam junto à estrada e expostos ao barulho do transito constante de caminhões e ônibus. Os quartos dos fundos são bons, limpos e absolutamente impessoais na decoração. Os quartos tem calefação e chuveiro a gás, o que garante algum conforto e nos proporcionou um belo e demorado banho após um longo dia de estrada.

   Para nosso jantar, após rodarmos um pouco pela cidade e avaliarmos as opções disponíveis, decidimos pela que nos pareceu ser a melhor opção, o restaurante Vento Minuano Grill. A escolha foi 100% acertada, o buffet de massas e grelhados estava excelente, e com acompanhamento de uma boa taça de vinho, foi a recompensa e o brinde pela viagem e pelas aventuras vividas até aqui. Amanhã seguimos para São José dos Ausentes, e de lá para casa.


9 comentários:

  1. Boa tarde Ariel.\
    Parabéns pelas viagens e pelo belo blog, está me servindo de roteiro para a viagem que farei essa semana, por essa região e para o Uruguai.
    Gostaria de uma dica sua: Qual a melhor localidade para nossa base para conhecer os campos de cima da serra? Ficarmaremos de 2 a 3 dias e depois desceremos ao Uruguais por Rivera e retornamos pelo litoral.
    Também sou apaixonado por faróis. srs
    abs

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  2. Fernando,
    A região dos campos de cima da serra é muito ampla, e como os caminhos são em geral por estradas de terra, os deslocamentos são demorados (mas lindos).
    Vc. não citou de onde partirá sua viagem, mas assim... existem DUAS possibilidades bem distintas de "base de operações" para conhecer a região. Uma seria URUBICI, em SC, para o caso de vc decidir conhecer os campos de cima da serra do lado CATARINENSE, e quem sabe, se vc tem espirito de aventura, fazer a ligação de SC até SÃO JOSÉ DOS AUSENTES via estrada de terra, conforme relatei no post acima.
    Outra seria descer diretamente até o RS, e se estabelecer em CAMBARA DO SUL para conhecer os canions, e quem sabe uma esticadinha a São José dos Ausentes que não fica muito longe.

    De toda forma Cambara é a cidade com melhor estrutura de pousadas e restaurantes na região, então minha sugestão é vc montar o roteiro usando Cambará como base e dali, fazendo as visitas aos canions e demais atrações da região.

    Abraços e otima viagem

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  3. Bom dia Ariel.
    Obrigado pelas informações.
    Saio de Curitiba e vou pela BR 116 e entro por Sta. Cecilia ou Monte Castelo por estradas secundárias até Urubici.
    Fico uma noite em Urubici e vou tentar descer a Corvo Branco e subir a Rio do Rastro. Se não der a Corvo, desço e subo a Rio do Rastro.
    A ideia é ir pelo máximo de estradas de terra, tanto de Urubici para a Rio do Rastro pelo Parque... não sei se é aberta ao transito. E depois até S. Jos[e dos Ausentes por estrada de terra.
    Acho que vou no seu palpite e fazer a base em Cambará mesmo.
    Outra dúvida, sem abusar... de Cambará vamos até o Uruguay entrando por Rivera. Vamos encontrar no caminho um outro amigo que vem de POA.
    Tem alguma sugestão de roteiro para ir até o Uruguay com estradas interessantes?
    abs e muito obrigado.
    ernando

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    1. Fernando,
      Muito bom teu roteiro, vai ser uma bela viagem com toda certeza, os caminhos que vc irá passar são únicos, incomparáveis.
      A Corvo Branco está em obras, e em tese, interditada. Sei que alguns "corajosos" se aventuram, mas tenha em mente que não há estrada propriamente dita após a descida, e sim obras de aterro, terraplanagem etc. Com tempo chuvoso fica impraticavel. Acho que vale a pena visitar a descida da SCB, voltar a Urubici, então visitar a SRR, e de lá seguir a Ausentes via Bom Jardim da Serra.
      Quanto ao caminho até Rivera a partir de POA, não tem nenhum atrativo especial, é estrada e estrada, via BR-290. Uma opção seria entrar no UY via Chui, daí sim cruzando a estrada que passa pelo Parque do Taim, e seguindo no UY pelo litoral.
      Abraços

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  4. Valeu Ariel. Estou saindo agora p estrada. Abs

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  5. Olá Arlei, muito bacana teu blog, parabéns!
    Preciso de uma ajuda:
    Vou sair de Canela em direção a Gravatal, pretendo passar pela Serra do Rio do Rastro.
    Como tenho criança, quero rodar apenas em estrada asfaltada.
    Penso em ir de Canela até Tainhas, e de Tainhas para Bom Jesus.
    De Bom Jesus até Bom Jardim da Serra, qual trajeto, com asfalto, você recomenda?
    Obrigado pela atenção e, mais uma vez, parabéns pelo blog.
    Thiago




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    1. Thiago, como vc não quer pegar estrada de terra....não sei se vale a pena o caminho que está imaginando via Tainhas e Bom Jesus.....
      Bom, se fizer este caminho, de Bom Jesus terá de voltar até Vacaria, e então seguir via BR-116 até Lages já em SC, daí Lages a São Joaquim, e São Joaquim a Bom Jardim da Serra onde desce o Rio do Rastro.
      Como vê....seguindo por Tainhas e Bom Jesus a volta é grande, acho que o caminho mais simples é saindo de Canela seguir a Nova Petropolis e pegar a BR-116 seguindo em direção a Vacaria. Outra opção é ir até Tainhas e de lá seguir via Rota do Sol até Caxias onde encontra a BR-116.
      Abraços

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  6. Ariel,boa tarde! estou indo em agosto com minha família conhecer parte de Santa Catarina. Incluindo entre outros pontos, Florianópolis e a Serra do Rio do Rastro. Nossa intenção, inicialmente, é fazer um bate e volta. Saindo cedinho de Florianóplois e seguindo de carro até Urubici, São Joaquim (Conhecendo os pontos turísticos) e depois descer a Serra do Rio do Rastro, para retornar à Floripa. Minha dúvida é se dá pra visitar os atrativos da região sem grandes dificuldades. Pois já recebemos dicas de que, apesar da distância, vale a pena fazer a visita dirigindo. Mas tenho medo de me enrolar. E acabar não conhecendo tudo. Mas com dicas de quem já conhece a região fica mais fácil.

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    1. Oi Cris,
      Então....na região de Urubici e São Joaquim tem bastante coisa para conhecer, um bate & volta a partir do Floripa certamente vai deixar o tempo curto....mas assim, minha dica prá vcs seria, saindo de Floripa, subir a serra em direção a LAGES, pegando a BR282 ali na região de Palhoça, e da 282 pegar a estrada que leva até Urubici via serra do Panelão.
      Se saírem cedo de Floripa, fazendo este trajeto dá para visitar o Morro da Igreja na parte da manhã e dar uma esticada até a descida da Serra do Corvo Branco (não esqueça, o acesso ao Morro da Igreja é controlado e tem de pegar a autorização de acesso na cidade de Urubici, atrás do Banco do Brasil.
      Na sequencia do passeio, após o almoço segue de Urubici em direção a São Joaquim, mas como teu tempo será curto para voltar no mesmo dia, siga direto em direção à Serra do Rio do Rastro.
      A partir da Serra do Rio do Rastro retorne em direção à BR-101 que te leva de volta a Floripa...
      Pessoalmente acho bem corrido fazer este passeio em um dia, mas é possivel. Se quiser aproveitar mais, estude pernoitar em Urubici que tem ótimas pousadas lá e um ambiente bem tranquilo.
      Abraços e boa viagem !

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