"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor."

Amyr Klink

terça-feira, 26 de agosto de 2014

CANELA, JUNHO DE 2014

   Em Junho de 2014 aproveitamos uns dias de folga para visitar Canela durante a semana, fora de época, o que nos possibilitou curtir muito mais a cidade e suas atrações.

Catedral de Canela, atração turística mais conhecida de Canela

   É impressionante como Canela, fora do tumulto dos finais de semana, é uma cidade calma e agradável, que convida a caminhar, passear, ou se entreter nos inúmeros restaurantes, cantinas, lancherias e cafés espalhados pela cidade. Tivemos experiências ótimas e fomos sempre muito bem atendidos em todas as situações nos quatro dias que ficamos por lá, coisa que eventualmente não acontece quando se visita a cidade em fins de semana, especialmente durante período de alta como férias de inverno ou durante o manjado “Natal Luz” em dezembro.

   A titulo de “destaque gastronômico” vale a pena citar o Bah Burguer - https://www.facebook.com/bahburguer/info , hamburgueria de primeira com decoração descolada e bacana, localizado próximo a rodoviária de Canela. Um dos melhores hambúrgueres que já comi, tudo artesanal (inclusive o pão que é produzido pelo próprio restaurante), a um preço bastante justo. Vale MUITO a pena pedir o hambúrguer “provoleta” com queijo provolone, embora as opções com queijo colonial serrano não fiquem nem um pouco atrás em sabor.

   Nossa estadia foi em uma pequena e charmosa pousada de um amigo nosso, a Pousada do Conde-


Localizada na Vila Suzana em meio à mata de araucárias, a pousada é uma excelente opção para quem busca descanso e sossego. O destaque fica por conta do café da manhã servido aos hospedes, quase um “café colonial”, e o melhor, tudo novinho e feito na própria pousada pelas dedicadas cozinheiras.


A chuva não convidava a sair dos chalés

    Uma dica bacana, se o clima contribuir, é aproveitar para fazer caminhadas nas ruas em torno da pousada. Durante nossa estadia o tempo esteve instável durante a maior parte do tempo e choveu bastante, mesmo assim no ultimo dia (é sempre assim....) o céu abriu e permitiu um rápido passeio no entorno da pousada.

Gostei demais desta casa de madeira

Casas & paisagens na Vila Suzana

   Para quem não se importa com buracos e estradinhas estreitas de pedra, e quer contato com a natureza, Canela tem muito mais do que as conhecidas atrações do centro da cidade. Aliás, é surpreendente o que existe de bonito para se ver andando pelas estradinhas do interior de Canela, tão próximo ao centro urbano da cidade. São atrações e paisagens que com certeza a quase totalidade das pessoas que visitam Gramado e Canela nem imaginam que existem. Quanto a nós, era justamente este tipo de atração e paisagens que estávamos em busca em nossos dias em Canela.

Cenário típico nas estradinhas pelo interior de Canela

   Um dos lugares interessantes de visitar é a velha ponte de ferro sobre o Rio Cai. Este local já foi tema de outro post aqui no blog, onde há maiores informações:
O acesso pode ser feito a partir da estrada do Caracol, deixando o asfalto um pouco depois da Churrascaria Garfo e Bombacha e entrando a direita numa estradinha conhecida por “Estrada da Lageana”. Da estrada do Caracol até a ponte são 11km.

Nossa Tracker companheira de estrada sobre a Ponte do Rio Caí

A quantidade de chuva transformou pequenas quedas d'água a beira da estrada em belas cachoeiras

   No retorno à cidade, passamos pelo Castelinho Caracol, que infelizmente estava fechado. No “castelinho”, além de um pequeno museu, funciona uma casa de chá que serve o melhor apfelstrudel que já provei (embora o preço cobrado seja “para turista”, ou seja meio indigesto...).

Castelinho Caracol

   Enfim, fica a dica: vale muito a pena se programar para visitar Canela fora dos períodos de alta estação, podendo assim curtir com mais tranquilidade o que a cidade tem de mais bacana a oferecer.


quinta-feira, 3 de abril de 2014

URUBICI E SERRA DO RIO DO RASTRO, DEZEMBRO DE 2013, 3º DIA

3º dia, terça feira, 17 dez 13


   Terça feira, dia de voltar para casa. O ultimo dia de nossa viagem amanheceu com tempo muito bom, céu claro e sem nuvens.
   O roteiro original do dia era deixar São Joaquim e seguir até São José dos Ausentes, cruzando a divisa dos estados de SC e RS por estradas não pavimentadas atravessando a região dos Campos de Cima da Serra, para depois seguirmos em frente até Cambara do Sul, São Francisco de Paula e Canoas, nosso destino final.

   Após um café da manhã simples deixarmos o hotel, fizemos algumas fotos da bonita igreja matriz de São Joaquim e pegamos a estrada. O tempo estava tão limpo e claro que decidimos arriscar e voltamos à Serra do Rio do Rastro na esperança de ver alguma coisa, afinal são apenas 55 km de estrada, quase nada para quem veio de tão longe.

A bonita igreja matriz de São Joaquim

   Apesar do tempo bom, temperatura amena e céu claro, ao nos aproximarmos do mirante da Serra do Rio do Rastro, novamente encontramos tudo encoberto por uma espessa neblina que não permitia ver nada.  Ok, valeu a tentativa.........sempre vale.

   Retornamos então em direção a São Joaquim até a pequena cidade de Bom Jardim da Serra, onde deixamos o asfalto para trás seguindo agora por estradinhas secundárias de terra e muita pedra em direção à divisa com o estado do RS e São José dos Ausentes.

Em direção ao RS

   De Bom Jardim da Serra à sede de Ausentes são 85 km de estradinhas sem pavimentação onde a media horária nunca é superior a 40 km/h. Por outro lado, mesmo que a estrada fosse asfaltada, não valeria a pena correr mais sob pena de perdermos detalhes das belas paisagens de campos e plantações de maçã.

Paisagens entre Bom Jardim da Serra e Ausentes


A colheita da maçã está se aproximando...

   Após percorrermos uns 30 km a estrada começa a descer em direção ao “passo” onde está localizada a ponte que faz a ligação entre os estados catarinense e gaúcho. E que ponte !


Exatamente sobre a fronteira geográfica entre SC e RS

   O estado de conservação da ponte não deixa duvidas de que estamos no coração de uma região esparsamente habitada onde o transito de automóveis e caminhões também é pouco comum. Obviamente paramos para registrar o momento e a paisagem, e ao cruzarmos para a outra margem do rio, estávamos novamente em solo gaúcho.

De volta ao RS !

   Seguindo em direção a Ausentes, passamos em frente à estrada que dá acesso à Pousada Fazenda Montenegro, onde está localizado o cânion do Montenegro. E já que estávamos ali, por que não tentar uma visita não programada ao cânion ?

 A partir da estrada que leva à sede da pousada o visitante segue por 3 km em uma estradinha bem agressiva e difícil para quem está com carro de passeio, mas perfeita para quem está de 4x4, cruzando por várias porteiras, atravessando alguns córregos para finalmente chegar próximo à borda do cânion.

Sede da Pousada Fazenda Montenegro

 E chegando mais próximo do cânion, desta vez sem surpresa constatamos que não conseguiríamos ver nada, pois a já conhecida neblina encobria completamente o cânion e os campos junto a sua borda. Mesmo assim, descemos do carro e caminhamos pelos campos, cuidando para não perder a orientação do caminho de volta ao carro em meio à neblina intensa, até chegarmos à borda do cânion.


Estradinha de acesso ao cânion do Montenegro. Ao fundo, a neblina que encobriu tudo e impossibilitou qualquer vista do cânion.

   Incrivelmente, na sede da Fazenda Montenegro, que fica a apenas uns 2 km do cânion, o céu era limpo e azul. Definitivamente visitar a região dos cânions durante os meses de verão é uma loteria, onde as chances de “vitoria” são bem pequenas.

   Retornando à estrada que leva a Ausentes, passamos pela pequena e abandonada vila do Silveira para no inicio da tarde finalmente chegarmos à sede de São José dos Ausentes, onde aproveitamos para fazer um merecido lanche e descansar um pouco antes de seguirmos viagem até Cambara do Sul. A distância de São José dos Ausentes a Canoas, nosso destino final, é de 240 km.

   O trecho entre Ausentes e Cambará do Sul é um velho conhecido meu. São 50 km de estrada de terra e muitas pedras. Um pequeno trecho de aproximadamente 10 km entre Cambara e a vila de Osvaldo Kroeff está asfaltado, porém no restante do trajeto, as muitas pedras e buracos ditam a velocidade da viagem. Menos mal que a paisagem única da região compensa qualquer esforço e no final das contas, mais uma vez agradecemos por a estrada nos forçar a andar mais devagar e nos oportunizar curtir em detalhes as paisagens dos Campos de Cima da Serra.

Na estrada, em algum lugar nos Campos de Cima da Serra

   Passamos direto por Cambará, afinal já conhecíamos bastante bem a pequena cidade que ademais não oferece nenhum atrativo turístico especial que não seja seus cânions, distantes da sede da cidade. Seguimos pela RS-020, agora asfaltada e em bom estado de conservação, até a localidade de Tainhas, onde paramos para descansar e tomar um saboroso café no tradicional Café Tainhas, ponto de parada obrigatório de todas nossas viagens à região.

   Voltando à estrada, seguimos até São Francisco de Paula, onde não podemos deixar de fazer uma visita rápida ao Lago São Bernardo.


Nosso valente companheiro de viagem, descansando junto ao Lago São Bernardo

   De São Chico em diante, estrada e estrada até Canoas, nosso destino final, onde chegamos no finalzinho da tarde.
   No total, rodamos em torno de 1.050 km nos três dias de nossa viagem. Visitamos uma das regiões mais bonitas do Brasil, vimos e fotografamos muita coisa bonita, serra, montanha, cascatas, cânions. Também vimos muita neblina, mas acima de tudo nos divertimos muito neste roteiro prá lá de interessante e que espero possamos repetir diversas vezes.


URUBICI E SERRA DO RIO DO RASTRO, DEZEMBRO DE 2013, 2º DIA

2º dia, segunda feira, 16 dez 13


   A segunda feira amanheceu promissora, temperatura amena, céu claro e sem nuvens, nenhuma neblina, o que indicava que teríamos condições excelentes em nosso passeio.
   O programa do dia era deixar Urubici, visitar o Morro da Igreja, seguir em frente descendo a Serra do Corvo Branco para então contornar pela parte baixa da serra, cruzando os municípios de Grão-Pará, Orleans e Lauro Muller para então subir novamente pela famosa Serra do Rio do Rastro, de onde seguiríamos até São Joaquim onde passaríamos a noite, num trajeto total de aproximadamente 210 km.

   Após um reforçado e saboroso café nos despedimos da Pousada das Flores. Desde fins de 2013, a visitação ao Morro da Igreja é controlada e é preciso obter antecipadamente uma permissão, que é concedida na sede do Parque Nacional de São Joaquim. A sede fica localizada na cidade de Urubici, bem próximo ao Banco do Brasil e Urubici Park Hotel, e atende todos os dias em horário comercial. 
   A permissão não tem custo e nos foi concedida em minutos, junto com algumas instruções de visitação ao parque. A medida tem por objetivo restringir o acesso excessivo de turistas principalmente em feriados prolongados, quando a pequena e estreita estrada de acesso ao Morro da Igreja acaba ficando congestionada e não há lugar para estacionar junto ao mirante no alto do morro.

   Após deixarmos Urubici, seguimos uma estrada de asfalto novo por 12 km até o acesso ao Morro da Igreja, de onde começa a subida de 15 km que leva ao alto do morro, onde está o mirante e a famosa Pedra Furada, a mais de 1800 m de altitude.

A caminho do Morro da Igreja, com tempo bom e céu azul

    À medida que subíamos em direção ao Morro da Igreja, uma surpresa: neblina, muita neblina!  Já na metade da subida estava claro que não veríamos nada lá em cima, o topo do morro estava completamente encoberto numa espessa nuvem de neblina. Mesmo assim seguimos, estacionamos o carro no alto do morro e curtimos o frio, o vento, o silencio e a neblina da montanha. A Pedra Furada estava lá............mas não vimos nada, fica para a próxima vez.

No alto do Morro da Igreja, visibilidade zero e muita neblina


    Na descida do morro visitamos a Cascata Véu de Noiva, que fica junto à estrada de acesso, em área particular. O acesso também é pago, algo como R$ 5,00 por pessoa.


   Saindo da estrada de acesso ao Morro da Igreja e virando à direita, seguimos então, agora por estrada de terra estreita e esburacada, por mais 15 km até a Serra do Corvo Branco.


    A Serra do Corvo Branco é uma espécie de “versão mais radical” da conhecida Serra do Rio do Rastro. Quando o visitante chega ao Corvo Branco, dá de cara com um “portal”, uma passagem, um imenso e impressionante corte em meio às rochas por onde passa a estrada.

O portal da Serra do Corvo Branco


   O corte, considerado o maior em rocha realizado no país, tem altura de 90 metros. Após o “portal”, há uma sequencia impressionante de curvas em um desnível extremamente acentuado. Este trecho, devido a sua dificuldade, foi pavimentado. Porém o restante da estrada é toda de pedra, muito estreita e obviamente sem qualquer tipo de proteção ou “guard rail” nas curvas.

Curvas acentuadas e em forte desnivel na parte mais alta da Serra do Corvo Branco

Apesar da dificuldade, caminhões madeireiros encaram a serra e suas curvas

   Após a descida do Corvo Branco, a condição da estrada piora de vez e se torna, para nossa surpresa, quase intransitável. Na verdade o trecho de estrada entre Grã-Pará e a Serra do Corvo Branco está em fase inicial de pavimentação, o que significa que em muitos trechos a estrada está sofrendo terraplenagem, aterro, desvios estão sendo construídos etc. 

Fim da pavimentação na "parte alta" do Corvo Branco. Daqui para frente, pedras e muitos buracos

   Por diversas vezes tivemos de dividir a estrada com motoniveladoras, caçambas e tratores. Alguns trechos estão quase impraticáveis, felizmente de 4x4 tudo fica mais tranquilo, mas se estivéssemos de carro de passeio normal, teríamos passado algum apuro. Este imprevisto nos atrasou bastante a viagem, e acabamos chegando a Grão-Pará quase na metade da tarde.

Apesar da dificuldade da estrada, as paisagens na descida do Corvo Branco compensam o esforço

    Já com fome, fizemos um lanche em um posto de combustível na cidade e seguimos em frente, cruzando uma região urbana composta pelos municípios de Braço do Norte, Orleans e Lauro Muller, seguindo em direção à SC-390, a conhecida estrada da Serra do Rio do Rastro.
   Esta travessia de cidades foi um anti-climax no nosso passeio, áreas urbanas, sinaleiras, transito pesado, são coisas que não combinam com férias e montanha, e tudo que eu queria era deixar para trás estas cidades e subir a serra novamente.

   Após a descida da região do Corvo Branco o tempo estava completamente aberto, céu azul e claro, nada de neblina. Foi com este tempo aberto e bonito que começamos finalmente a vencer os 7 km de subida que levam ao alto da Serra do Rio do Rastro e seus 1.420m de altitude.

Subindo a Serra do Rio do Rastro

   Surpresa nº 2 do dia....a medida que vencíamos as curvas e o GPS mostrava que ganhávamos altitude, a neblina, a mesma que vimos no Morro da Igreja, retornou com toda sua força encobrindo tudo ao redor. Nos quilômetros finais da subida já não era possível enxergar nada além do carro, visibilidade “zero”.

Chegando ao alto da Serra do Rio do Rastro

Neblina tomando conta da paisagem

   Paramos no mirante da Serra do Rio do Rastro para “admirar a paisagem”. A temperatura lá em cima era de 16ºC e para nossa surpresa, enquanto tomávamos um café quente na lanchonete do mirante, começou a chover. Chuva, neblina e vento forte, que combinação ! Sem muito mais a fazer, tiramos algumas fotos, e voltamos ao carro para seguir em direção a nosso destino final, São Joaquim.

Neblina encobrindo tudo no mirante da Serra do Rio do Rastro

Esta era a paisagem que queriamos ver

Além de neblina, friozinho e um "agradável" chuvisqueiro

    A serra e os cânions são um ambiente único e imprevisível para quem não está acostumado a seu clima mesmo....deixando o mirante do Rio do Rastro para trás, em poucos quilômetros a neblina sumiu completamente e o tempo abriu. Seguimos por mais 55 km até a cidade de São Joaquim.
   No caminho, uma parada para admirar e fotografar a bonita cascata localizada à margem da estrada.


   A pequena São Joaquim  - http://turismo.saojoaquim.sc.gov.br/ - é uma cidade que aparentemente já viveu dias melhores. Embalada pelo frio e pela frequentes quedas de neve no alto do inverno, São Joaquim viveu uma época de bastante projeção turística que trouxe algum desenvolvimento à cidade.

   A cidade, que durante muito tempo foi anunciada como a “mais fria do Brasil”, hoje porém aparenta viver um período de declínio, os hotéis são os mesmos que conheci quando visitei a cidade pela primeira vez, no distante 1996, porém hoje estão mais velhos. A manutenção e as necessárias reformas não vieram com o tempo. As praças e o cuidado visual com a própria cidade vão nesta mesma linha. Hoje, São Joaquim é basicamente uma pequena cidade serrana que vive da safra da maçã e de algum fluxo de turismo nos meses de inverno.

   Nos hospedamos no Incomol Park Hotel - http://hotelincomol.com.br/, situado na entrada da cidade junto a estrada que leva a Lages. Como dica, escolher sempre os quartos dos fundos, pois os da frente ficam junto à estrada e expostos ao barulho do transito constante de caminhões e ônibus. Os quartos dos fundos são bons, limpos e absolutamente impessoais na decoração. Os quartos tem calefação e chuveiro a gás, o que garante algum conforto e nos proporcionou um belo e demorado banho após um longo dia de estrada.

   Para nosso jantar, após rodarmos um pouco pela cidade e avaliarmos as opções disponíveis, decidimos pela que nos pareceu ser a melhor opção, o restaurante Vento Minuano Grill. A escolha foi 100% acertada, o buffet de massas e grelhados estava excelente, e com acompanhamento de uma boa taça de vinho, foi a recompensa e o brinde pela viagem e pelas aventuras vividas até aqui. Amanhã seguimos para São José dos Ausentes, e de lá para casa.


URUBICI E SERRA DO RIO DO RASTRO, DEZEMBRO DE 2013, 1º DIA

1º dia, domingo, 15 Dez 13


   Na segunda quinzena de dezembro de 2013 aproveitei os dias finais de meu período de férias para visitar Urubici, no alto da serra catarinense, tendo como companhia de estrada meu filho de 10 anos de idade.
   O objetivo da viagem era usar Urubici como nossa “base de operações” para visitar as Serras do Corvo Branco, Rio do Rastro e então retornar ao RS fazendo o caminho entre Bom Jardim da Serra no alto da serra catarinense e São José dos Ausentes já no estado gaúcho.

   Urubici é uma pequena cidade encravada no alto da serra catarinense, na região que pode ser considerada a mais fria do Brasil, com temperaturas negativas, frequentes geadas e nevascas durante os meses de inverno. Urubici é vizinha das também geladas cidades de Urupema e São Joaquim, provavelmente a mais famosa pelas baixas temperaturas, embora a rigor não seja a cidade mais fria da região.

 Urubici também é a cidade onde está localizado o famoso Morro da Igreja - http://pt.wikipedia.org/wiki/Morro_da_Igreja , ponto mais alto do sul do Brasil com seus 1822 m de altitude, no interior do Parque Nacional de São Joaquim.
   A cidade em si é bastante pequena e muito tranquila, o que não impede de oferecer ao visitante boas opções de pousadas, além de um bom hotel no centro da cidade e uma quantidade adequada de restaurantes, pizzarias e lanchonetes.

Os sites a seguir trazem mais informações a respeito da cidade, sua estrutura e atrações:


 1º DIA DE VIAGEM, URUBICI

   Voltando a nossa viagem, saímos de casa na manhã do domingo dia 15 de dezembro e seguimos direto até a cidade de Caxias do Sul, onde tomamos a BR-116 em sentido norte rumo à divisa catarinense, passando pela cidade de Vacaria ainda no lado gaúcho.

   A BR-116 neste trecho é bastante sinuosa e estreita, principalmente no trecho entre Caxias do Sul e Vacaria. O trafego é relativamente pesado e volta e meia um caminhão mais lento obriga a reduzir a velocidade até se encontrar um ponto possível de ultrapassagem. A média horária acaba sendo baixa e a viagem demora um pouco, mas o visual da serra compensa plenamente e afinal viajar devagar curtindo as paisagens da serra acaba sendo um prazer a mais.
   De Taquari à divisa entre os estados de RS e SC são 285 km, que foram vencidos em pouco mais de 4 horas, incluindo a parada para almoço feito em Vacaria.

Na divisa dos estados de RS e SC pela BR-116

    A partir da divisa com SC a BR-116 cruza uma região mais plana e seguimos viagem até a cidade de Lages, onde seguimos então pela BR-282 em direção a Urubici, nosso destino final do dia, distante 175 km da divisa com o RS.

   O acesso à BR-282 a partir de Lages está bem complicado nos primeiros quilômetros. A estrada cruza uma região extremamente movimentada no perímetro urbano de Lages e existem muitas obras como construção de viadutos etc, que obrigam a fazer desvios nem sempre bem sinalizados por dentro dos bairros. Após alguns quilômetros felizmente saímos do perímetro urbano de Lages e a estrada se torna livre e mais gostosa de andar.

   A partir de Lages são mais uns 80 km pela BR-282 até chegarmos ao acesso a Urubici, pela estrada SC-110. No caminho fomos “pegos de surpresa” por uma forte chuva típica de tarde de verão, que felizmente logo foi embora.
   A SC-110 é bastante estreita e sinuosa, mas apresenta piso em boa condição, sem buracos. A estrada cruza uma região muito bonita conhecida como Serra do Panelão até finalmente chegar à cidade de Urubici.

   Chegamos a Urubici no meio da tarde, o que nos permitiu acomodar as mochilas na pousada, descansar um pouco e ainda sairmos no final da tarde para andar um pouco pela cidade.
   No centro da cidade visitamos a interessante igreja matriz de Urubici com seu estilo muito peculiar.


   Saindo da cidade em direção a São Joaquim fomos visitar a parte alta da Cascata do Avencal. O mirante para a cascata fica em área particular e é cobrada uma pequena taxa de visitação.


Cascata do Avencal, vista do mirante

   Para passar a noite nos hospedamos na Pousada das Flores, uma simpática pousada localizada na rua principal da cidade, quase em frente ao Urubici Park Hotel.


   Apesar de estar na rua principal, o sossego é garantindo, a pousada é ótima. Os quartos são silenciosos, bonitos, simples mas bem decorados, extremamente limpos e bem cheirosos, o banho com aquecedor a gás é excelente e para as noites de inverno, os quartos contam com calefação, que obviamente não usamos.

 À noite esfriou um pouco, a temperatura caiu para algo em torno dos 18ºC, e aproveitamos a noite agradável para jantar uma pizza no Zeca’s Bar, um dos restaurantes mais antigos e tradicionais da cidade, que eu já conhecia de minha primeira visita a Urubici em Jan/2001, quando o lugar ainda se chamava simplesmente “Bar do Zeca”.

quarta-feira, 26 de março de 2014

MENDOZA, CORDILHEIRA DOS ANDES, DEZEMBRO DE 2013, 8º E ULTIMO DIA

8º dia, quarta feira, 11 Dez 13


   Após seis dias perambulando aos pés dos Andes e curtindo suas paisagens incríveis, chegou a hora de voltar. Ultimo dia em Mendoza, expectativa a mil pela viagem de retorno, acordei cedo e após o café da manhã encerrei a conta do hotel e segui para o aeroporto El Plumerillo, localizado na saída norte da cidade, onde o pessoal da locadora me aguardava para a devolução do valente Gol.

   Trâmites de embarque feitos, em pouco tempo estava sobrevoando Mendoza em direção a Buenos Aires para a conexão, e então mais um trechinho de voo até a aproximação do aeroporto Salgado Filho em Porto Alegre, sobrevoando o velho conhecido rio Guaiba, mais uns instantes...........pronto, as rodas do avião tocam mais uma vez a pista do aeroporto, e estou em casa. Emoção gostosa aterrissar em Porto Alegre depois de ver tanta coisa em tão pouco tempo nestes últimos dias, que a semana mais parecia ter sido “um mês".

   Foram dias incríveis, uma viagem perfeita onde tudo deu certo. A despeito de ter cruzado regiões semi-desertas sem praticamente nenhum transito de outros veiculos e por estradas que fariam muito proprietário de “pseudo-SUVs” e “Ecos” da vida sentirem pena de seus veiculos, em nenhum momento me senti perdido ou inseguro. O “temido” ripio (estrada de cascalho solto) inspira cuidados na condução do carro, mas não traz maiores perigos se tratado com a devida cautela. Já as estradas regulares de asfalto são de modo geral excelentes, bem conservadas, sinalizadas e seguras, e com limites de velocidades “decentes”, ou seja 110 km/h em auto estrada, 90 km/h em estradas vicinais de pista simples.
   Rodei em torno de 1.500 km nos seis dias livres que passei em Mendoza, e sem duvida alugar um carro foi a escolha mais acertada, pela liberdade total de escolha de destinos e horários. O aluguel do Gol me custou R$ 650,00 pagos em reais à locadora, algo como $ 2.500 pesos argentinos. A gasolina (nafta super) estava custando 9 pesos o litro, algo como R$ 2,50 o litro no cambio a 3.5 reais/peso.

   A região da cordilheira dos Andes, a cidade de Mendoza e fronteira com Chile oferecem muito ao turista em termos de visuais, paisagens, estradas. É um destino fantástico que merece ser visitado com calma. Muita gente vem a Mendoza com roteiros “bate e volta” de dois a três dias, visitam uma ou duas vinícolas, o Parque Aconcagua e mais nada. Perdem MUITO do que existe de bonito e interessante na região....perdem a estrada, as paisagens, o contato com o povo. Para curtir de verdade Mendoza e região, uma estadia de cinco dias no mínimo é necessária.

   Também não é um destino caro. De modo geral alimentação e estadia em Mendoza tem valores bastante atrativos, principalmente se o cambio estiver favorável ao dólar / real. Quando estive lá, Dez/13, o cambio peso x real estava na casa de 3.5 a 3.8 pesos para cada real, com a desvalorização recente o cambio passa da casa dos 4 pesos por real, o que torna tudo ainda mais atraente em termos de custo. Vale MUITO a pena pagar tudo em espécie, evitar a todo custo uso do cartão de credito e fazer cambio no aeroporto, onde a taxa de conversão é a “oficial” e extremamente desvantajosa.

   Por fim, a imagem que fica, a lembrança maior da viagem, a visão do Aconcagua, sem qualquer duvida a maior atração turística da região e que sozinho já “paga” a viagem.
   O grande Amyr Klink, no livro "Paratii - Entre Dois Polos" escreve que “não poder dividir momentos especiais poderia ser um problema, mas há situações que se passam no mar que são para não serem divididas. Algumas tão belas e únicas que devem continuar dentro de quem as vê e só assim se transmitem: inteiras”.
   Pois não apenas no mar, na montanha também as palavras do navegador solitário fazem todo o sentido e a visão que guardo do Aconcagua é algo deste tipo, uma visão bela, única e inteiramente pessoal.


quinta-feira, 6 de março de 2014

MENDOZA, CORDILHEIRA DOS ANDES, DEZEMBRO DE 2013, 7º DIA

7º dia, terça feira, 10 Dez 13


   Ultimo dia aos pés dos Andes. Após um café da manhã bem simples na pousada, faço o check-out, coloco as malas no carro e estou pronto para pegar estrada novamente.

   Aproveito o tempo disponível para dar uma ultima caminhada pela rua central de Uspallata e visitar mais umas lojinhas de artesanato. Aqui cabe um comentário, as lojas de artesanato de Uspallata tem artigos interessantes e bonitos a bons preços, melhores do que os encontrados por exemplo nas lojinhas junto à Puente del Inca ou no centro de Mendoza.



    Deixei Uspallata para trás lá pelo meio da manhã, e resolvi percorrer mais uma vez a RN-7 em direção à fronteira com o Chile para visitar a estação de esqui de Los Penitentes - http://www.lospenitentes.com/ - , a 62 km adiante de Uspallata e já bem próximo ao Parque Aconcagua.


Apesar de ser baixa estação, o teleférico estava funcionando

   Obviamente como é verão não há neve e a estação está meio desativada e deserta, com os hotéis e restaurantes fechados. Mesmo assim existe algum movimento de turistas e vans de agencias, até porque o visual das montanhas, mesmo sem a neve, continua impressionante e valendo muito a pena de ser visto de perto.

Hotéis e pousadas fechadas na baixa estação, afinal é um centro de esqui

Refugio Cruz de Caña, albergue de montanha


Mesmo sem neve, a paisagem é impressionante no centro de esqui de Los Penitentes

   Após caminhar calmamente e fotografar tudo em Los Penitentes, iniciei o retorno a Mendoza curtindo pela ultima vez o visual encantador da RN-7.


Paisagens fantasticas à beira da RN-7 em direção ao Chile
 
   Como tinha a tarde toda pela frente ainda, resolvi voltar a Maipú e tentar fazer algumas visitas às bodegas da região.
   A região de Maipú é relativamente pequena geograficamente falando, o que significa dizer que as principais bodegas ficam próximas umas das outras e não se perde muito tempo rodando para visita-las. Muita gente inclusive faz o tour das vinícolas de Maipú de bicicleta, como o simpático casal de venezuelanos que viria a conhecer durante a visitação à Bodega La Rural.

   A primeira tentativa de visita foi a Bodega Trapiche, uma das maiores e mais conceituadas da região. O atendimento na recepção da bodega foi tão ruim, e o atendente tão pouco cortês e simpático, insistindo em deixar claro que a visitação era paga e que eu somente poderia acessar o pátio da bodega após pagar o valor do ingresso, que desisti “na hora” de fazer a visitação e me limitei a fotografar a fachada do bonito prédio da Trapiche do estacionamento mesmo.

Bodega Trapiche

   Decidi então tentar a visitação a Bodega La Rural, onde aconteceu exatamente o contrário. O atendimento e orientação ao visitante não poderiam ser melhores e mais atenciosos, desde o senhor da portaria da bodega às meninas que recepcionam e guiam os grupos durante a visitação.


    A Bodega La Rural é uma das mais antigas e tradicionais bodegas de Maipú. A visitação custa 50 pesos, dá direito ao tradicional “tour” pela bodega e vinhedos, explicação sobre o processo produtivo, degustação e o melhor de tudo, o valor do ingresso pode ser integralmente convertido em bônus na compra de garrafas de vinho – que são bem bons por sinal - na lojinha da bodega, assim a visitação acaba saindo “de graça”.

Vinhedos na bodega La Rural


   Nesta visita foi interessante perceber e poder comparar as diferenças no processo, no manuseio da uva, nos detalhes de equipamentos e prédios e até mesmo no tratamento visual em uma bodega dedicada a produção de vinhos mais comerciais, onde sempre existe uma preocupação com volumes de produção e índices de produtividade, em relação aos empreendimentos que vi no Vale do Uco, onde o foco na qualidade é absoluto, em detrimento de tudo o mais, preço final da garrafa de vinho inclusive.

Área produtiva da bodega La Rural, no primeiro plano as prensas utilizadas para extração do suco da uva

    Aqui na La Rural os processos são mais mecanizados, a vinícola tem mais aparência de fabrica e o vinho é o produto final. Nas bodegas do Vale do Uco, fortemente orientadas à produção de vinhos de altíssima qualidade, o processo de elaboração do vinho é tratado quase como uma arte.

Brasão da familia Rutini, fundadores em 1885 da Bodega La Rural de Maipú

    Outro diferencial da visitação à La Rural é o Museu do Vinho, anexo à bodega, onde podemos acompanhar a evolução dos processos de vinificação, desde o método primitivo introduzido na época da colonização pelos imigrantes espanhóis às evoluções e mecanização do processo ocorrido nos últimos 100 anos.


Museu do Vinho e antigos tratores utilizados nos vinhedos da La Rural

    Ao término da visitação à La Rural retornei a Mendoza para passar a última noite antes do retorno para casa.
   No caminho uma passadinha no Carrefour para comprar mais algumas garrafas de vinho para trazer de lembrança. Aqui vale a dica, os preços dos ótimos vinhos de Mendoza nos grandes supermercados são na maioria das vezes menores do que os praticados nas próprias bodegas, então vale a pena visitar, curtir as degustações, mas na hora de comprar vinho para trazer de lembrança, o negocio é investir nos mercados mesmo.

   Para esta última noite na cidade me hospedei novamente no Ibis. Nem desfiz as malas, apenas uma reorganizada na bagagem para despachar as malas e compras com segurança, afinal a pior coisa que poderia acontecer seria ter as preciosas garrafas de Malbec de Mendoza e as lembrancinhas dos artesanatos quebradas no transporte.

   Passei o resto da noite descansando e curtindo o ar condicionado do hotel, porque amanhã cedo é hora de deixar Mendoza, devolver o carro no aeroporto e seguir o rumo de casa.