"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor."

Amyr Klink

quarta-feira, 23 de junho de 2010

INTERIOR DE GRAMADO, CANELA E SÃO CHICO, MAIO DE 2008

Em maio de 2008 decidimos passar um final de semana na serra, para curtir as paisagens e o friozinho do inverno que já dava as caras. O destino escolhido era o movimentado pólo turístico de Gramado / Canela.

Para não perder a oportunidade nem o costume, optei por subir a serra por um caminho menos obvio e certamente muito mais divertido e atraente do que o asfalto da RS-115 que liga Taquara a Gramado. O dia prometia belas imagens, uma vez que o tempo resolveu colaborar com um sol brilhante, céu azul e temperatura baixa.

Seguindo pela BR-116 a partir de Canoas e passando pelo pórtico de acesso a Ivoti, algumas centenas de metros após o Shopping Portal da Serra entramos à direita no acesso à localidade de Travessão, já no município de Dois Irmão.

Este caminho é conhecido como “Caminhos da Colonia” e segue por uma região montanhosa de belos sítios e chácaras onde a presença da colonização alemã é marcante.
Passamos por atrações como a Cachaçaria Dom Braga - www.dombraga.com.br/new/ - onde é fabricada e engarrafada uma premiada pinga de altíssima qualidade.
Mais a frente, outra atração é o Armazém Scholles, um típico “bolicho” do interior, conservado imutável através das décadas.
O caminho cruza pelo centro da cidade de Dois Irmão e daí em frente a pavimentação acaba, a estrada de terra e a diversão finalmente começam.

Seguimos em direção à localidade de Picada Verão, onde estão localizados diversos campings e áreas de balneário, todas aproveitando as cascatinhas e corredeiras formadas pelo pequeno rio que acompanha por vários quilômetros o traçado da estradinha. Entre estas opções de camping, sem dúvida a mais conhecida, movimentada (no verão obviamente) e bem estruturada é a Reserva Sitio da Família Lima - www.reservafamilialima.com.br .
Como estamos no outono e nosso interesse não era o camping, seguimos em frente pela estradinha de terra saindo em São José do Herval, onde paramos para fotografar a belíssima igreja de pedra.

Ali mesmo junto à igreja, uma boa opção para a hora do almoço é o Restaurante Colonial Kieling - http://kieling.blogspot.com/ - , simples mas autentico e aconchegante.

Do outro lado da rua, temos um belo exemplar de construção estilo enxaimel, tão típico e sempre presente nas regiões de influência cultural e colonização alemã.

Após a rápida parada para fotos, tocamos em frente e passamos direto pelo pequeno centro da cidade de Santa Maria do Herval e pela localidade de Boa Vista do Herval. Aqui, em torno de 5km após a igreja da comunidade, existe uma bonita cachoeira com acesso junto à estrada.
O problema é que tal cachoeira não é vista de nenhum ponto da estrada, não existem indicações, portanto se vc. não conhece o local, ou não tem a localização exata da cachoeira marcada no GPS, esqueça...........muito provavelmente não encontrará a pequena trilha em meio à mata, que partindo da beira da estrada, desce algumas dezenas de metros até um ponto onde se tem uma bela visão da cachoeira.
Seguimos em frente pelas estradinhas da colônia, deixando para trás o município de Santa Maria do Herval e entrando no território de Gramado pela localidade de Linha Tapera.

Linha Tapera é uma região muito bonita e pouco conhecida de Gramado, onde os traços da colônia estão extremamente bem preservados. Aqui, os traços da colonização alemã se mesclam com uma forte influência dos italianos que também escolheram este pedacinho da serra como local para erguerem suas casas e construírem suas vidas.
Pequenas capelas, galpões de pedra, casas de madeira e muitos sítios com jardins floridos e bem cuidados ajudam a compor com a paisagem naturalmente bela da região, em cenários de extrema beleza. Uma lástima e ao mesmo tempo um alívio a massa de turistas que vêm conhecer Gramado se limitarem às atrações comerciais do centro da cidade.


Após Linha Tapera chegamos finalmente a Gramado, e como já eram umas 15:00h nem paramos, fomos direto em direção a Canela onde nos esbaldamos num saboroso e farto café colonial. Ficamos hospedados na Pousada das Águias - www.pousadadasaguias.com.br – uma pequena e charmosa pousada construída em estilo alemão, localizada próximo ao condomínio Laje de Pedra.

Após nos instalarmos na pousada e de um rápido descanso, ainda encontramos tempo para sair e conhecermos o Morro do Dedão, que fica a uns 7km da Catedral de Pedra, ponto de partida do caminho que leva ao morro. O acesso é por uma trilha deserta, estreita e esburacada, e praticamente só é possível chegar até o topo do morro com jipes 4x4 ou motos tipo trail. Lá em cima fomos premiados com um belo visual do final de tarde nas encostas e morros da serra.

Na volta do Morro do Dedão, com o sol já se pondo, fomos direto a Gramado curtir um pouco a cidade e suas atrações, afinal ninguém é de ferro. Caminhamos um pouco pelas ruas centrais, vitrines, lojas, visitamos o bonito Lago Joaquina Bier, mas logo fomos “incentivados” a procurar abrigo na pousada. Às 19:00h, a temperatura era de meros 2ºC, e voltar para o calor da lareira da pousada nos pareceu uma opção mais interessante do que os 2ºC da rua.........

A noite foi gelada, mas a calefação do quarto nos garantiu uma noite gostosa e confortável. Como já se poderia prever, o dia seguinte amanheceu bastante frio, e para nossa alegria, os campos, gramados e telhados cobertos de branco, reflexo da forte geada da madrugada.


Deixamos a pousada após um gostoso café da manhã e fomos curtir o sol e nos aquecer tomando o clássico chimarrão na bonita praça do Condomínio Laje de Pedra, onde o lago emoldurado pelas árvores desfolhadas e pelas cores do outono compunham uma paisagem maravilhosa, tranqüila e bucólica.

Após cansarmos de “brincar de milionário” e curtir a praça e os cenários do Condomínio Laje de Pedra, retornamos para a estrada, deixando para trás Canela e seguindo para a cidade de São Francisco de Paula.
Para não perder o costume, optei por seguir em direção a São Chico percorrendo estradas de terra de pouco movimento pelo interior do município de Canela.

Por este caminho, passamos em frente ao Alpen Park - www.alpenpark.com.br - , pela Vinícola Jolimont - www.vinhosjolimont.com.br - descendo e subindo morros, para finalmente após passarmos pela Usina e Barragem dos Bugres retornarmos ao asfalto da RS-235, já próximo à Barragem do Salto.

Dali seguimos direto a São Chico, onde almoçamos o já tradicional macarrão à carbonara e filé à parmiggiana no Trattoria Pasta Nostra, e fomos aproveitar o restinho da tarde no Lago São Bernardo, onde às 17:00h já havia uma neblina anunciando o fim do dia e o inicio de mais uma noite de frio na serra.

Era a hora de voltar para casa. Nos restava agora somente o asfalto entre São Chico e Canoas, onde chegamos já noite, não sem antes enfrentarmos um inevitável engarrafamento na chegada pela BR-116 a Canoas, enfim, estava de volta às coisas da cidade.

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