"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor."

Amyr Klink

terça-feira, 6 de julho de 2010

FARÓIS CRISTOVÃO PEREIRA E CAPÃO DA MARCA, NOVEMBRO DE 2008

Nos dias 29 e 30 de Novembro de 2008, reunimos parte do grupo de amigos que formou a expedição “Ao Sul do Sul” ligando Dunas Altas ao Chui pela praia em abril de 2008, para um novo desafio pelas areias da região de Mostardas.

A aventura desta vez consistia em visitar os faróis Cristóvão Pereira e Capão da Marca, ambos localizados em pontos extremamente isolados da margem leste da Lagoa dos Patos, entre os municípios de Mostardas e Tavares, e acessíveis somente pela beira da praia em veículos tracionados, motos ou a cavalo.

O ponto de encontro e partida da expedição foi o posto de pedágio da RS-040 em Águas Claras, Viamão. Pouco depois das 6:00h da manhã eu já estava lá, aguardando a chegada dos demais participantes do passeio: Leo Frederes (Vitara), Mauricio e seu filho Renan (Vitara), Marcelo e o “chefe” Gerbase na função de “zequinha-fotógrafo” da expedição (Sidekick) e finalmente o Rodrigo e esposa Andressa (Vitara).
Após reunirmos os participantes e tomarmos algumas cuias de chimarrão, pegamos a estrada com destino a Mostardas, num trecho de 170 km até o trevo de acesso à cidade.
Tocamos direto pelo asfalto (ou que sobrou dele) da RST-101 até o acesso à estrada do Rincão Cristóvão Pereira, localizada 15 quilômetros após a cidade de Mostardas, onde chegamos por volta das 10:00h da manhã.

A RST-101, antiga "estrada do inferno", não virou exatamente um "paraíso" após o asfaltamento.

A estrada do Rincão dá acesso á beira da Lagoa dos Patos e serve de caminho para chegarmos ao farol Cristóvão Pereira. Do asfalto da RST-101 até a beira da lagoa são 22 km, por estradão de areia e muitas vezes por dentro do campo mesmo...com tempo seco este trecho pode ser vencido com tranqüilidade em pouco mais de 30min., porém com chuva dizem que é uma cópia fiel do que um dia foi a temida “estrada do inferno”, ou seja muito barro e areia, muito atoleiro.
Ao chegar à beira da Lagoa dos Patos já é possível avistar bem longe no horizonte a silhueta do Farol Cristóvão Pereira.
Não pude deixar de me emocionar, afinal estava ali, realizando um sonho adiado desde o momento em que decidi ter um 4x4 vários anos atrás, que era conhecer o farol Cristóvão Pereira.

O tempo limpo, de temperatura agradável, sol ameno e céu azul motivaram a turma para a tradicional sessão de fotos à beira da lagoa. Após a sessão de fotos, seguimos na direção sul costeando a lagoa.
Neste trecho o trajeto acabou sendo bem mais fácil e tranqüilo do que eu esperava. Já havia lido e ouvido muita coisa sobre os perigos e desafios da beira da Lagoa dos Patos, porém para nossa sorte (ou azar, dependendo do ponto de vista) o tempo bom aliado à época de poucas chuvas deixou uma “avenida” na beira da lagoa, com pequenos alagados e áreas de areia fofa para dar o tom da diversão, enfim, nada de complicado para nossas viaturas.
Mesmo assim, o colega Rodrigo conseguiu atolar o jipe ao entrar numa área de areia fofa junto à beira da água, mostrando o quanto são traiçoeiras as areias da beira da lagoa e o quanto é perigoso se aventurar por aquelas bandas sozinho, em apenas 01 jipe.
Nestes momentos a gente fica querendo que o Vitara tivesse um pouco mais de motor, pois se entrar na areia fofa sem embalo ou com o motor em baixo giro, o jipe perde força e fica mesmo. A receita é usar a reduzida a maior parte do tempo, pisar firme e entrar nos banhados embalado, e “tome” pé no acelerador e água espirrando pra todo lado!
De toda forma, atolar e ajudar os companheiros a sair das "frias" faz parte da diversão de se andar num 4x4.........

Após desatolarmos o Vitara do Rodrigo, seguimos em frente. A lagoa estava bem recuada, deixando uma boa faixa de praia facilitando o trajeto pela areia.

À medida que avançamos na direção sul pela beira da praia, o Cristovão Pereira surge cada vez mais perto e mais imponente no horizonte.

Com a relativa facilidade de se andar pela beira da lagoa, percorremos os 9 km de beira de lagoa até o farol, em pouco mais de 1 hora, sem pressa, parando para muitas fotos, curtindo a paisagem.

Finalmente chegando ao farol em torno de 11:30h da manhã.

O farol de Cristóvão Pereira foi construído em 1858 para auxiliar na navegação da Lagoa dos Patos, e é uma atração especial pelo formato peculiar de sua torre de 30 m de altura, que diferentemente da maioria dos faróis cujas torres são de seção circular, possui seção quadrada. Uma boa matéria sobre o farol pode ser lida em: http://www.popa.com.br/imagens/04-04

Além disto o farol também surpreende por estar localizado praticamente “dentro da água”, numa espécie de extensão de areia que forma uma península muito estreita, apropriadamente conhecida pelo pessoal da região de “ponta do Cristóvão Pereira”, e também pelo isolamento do ponto onde está localizado.
O acesso é feito somente pela beira da lagoa, no trajeto que havíamos acabado de fazer, ou por dentro de fazendas particulares atravessando áreas de plantações de pinus.

Apesar do (ou em função do) isolamento, o farol Cristóvão Pereira é destino frequente de velejadores, jipeiros, motociclistas, pescadores e outros aventureiros que se animam a enfrentar os desafios da beira da Lagoa dos Patos para conhecê-lo. Talvez em função disto, esteja surpreendentemente muito bem conservado, com sua torre pintada de um branco impecável.


Aproveitamos a parada para mandarmos ali mesmo um lanche improvisado à sombra do farol, e depois uma longa caminhada de reconhecimento e sessão de fotos, tendo sempre o Cristóvão Pereira como pano de fundo na paisagem.

Após o Cristóvão Pereira, nossa meta era atingir o farol do Capão da Marca, já no município de Tavares, distante 28 km em direção sul do Cristóvão Pereira pela beira da lagoa, e montar lá nosso acampamento. Da mesma forma que o trecho até o Cristóvão Pereira, a beira da lagoa até o Capão da Marca não ofereceu maiores desafios além dos tradicionais alagados de beira de praia e pequenos trechos de areia fofa.

Este trecho foi cumprido em aproximadamente 1h 30min., chegando ao Farol Capão da Marca em torno das 14:00h, um hora antes da nossa previsão inicial.

A subida no farol Capão da Marca descortina a paisagem ao redor, natureza e mais natureza, praias desertas, a linda Lagoa dos Patos em uma de suas regiões mais isoladas.


Nossa primeira tarefa foi definir o local para montarmos o acampamento. Após algumas latinhas de cerveja bem gelada e muita discussão, optamos por montar nosso acampamento sob um capão de eucaliptos bem ao lado do farol, em função da sombra e também de ser o local mais abrigado contra o vento que soprava muito forte já durante a tarde e certamente aumentaria bastante a noite, como é comum à beira da lagoa.
Também definimos o local e preparamos nossa fogueira que seria acesa na entrada da noite, afinal acampamento sem uma fogueira não é acampamento.
Barracas montadas e bem amarradas contra o vento, resolvemos encarar a lagoa. Apesar do vento muito forte e da água gelada, encaramos um divertido banho nas águas frias e limpas da Lagoa dos Patos.
Após o banho na lagoa, os colegas Mauricio e Leo resolveram catar uns lambaris para iscar. Fui junto, apesar de não saber pescar. O Mauricio com toda sua experiência logo encontrou uma vala de irrigação que prometia, e “lavou a égua” tendo várias ações com as traíras dentuças. Em pouco mais de 1 hora, foram umas doze traíras, todas de pequeno porte. O frito da janta estava garantido!

De volta ao acampamento, esperamos a noite cair para acendermos nosso "fogo ancestral".

O grupo reunido na hora da bóia, file de traira frito, bifes na chapa, e muito, mas muito vento na beira da lagoa.

Após a janta a conversa rolou animada em volta da fogueira até tarde. Impressionante a beleza de uma noite estrelada à beira da lagoa, em um lugar isolado como o que estávamos ali, longe de qualquer sinal de energia elétrica, barulhos etc.........somente o forte ruido do vento a nos acompanhar.
Definitivamente esta era uma visão muito especial que fica guardada para sempre na memória de cada um de nós.
A noite não foi das mais confortáveis, em parte pela falta de costume com a barraca e o saco de dormir, mas principalmente pelo barulho forte do vento absurdo que soprava e parecia que ia arrancar a barraca do chão. Mas como o cansaço era grande em função do dia longo e agitado, todos dormimos bem.

A função no domingo começou cedo, pouco depois das 7:00h o grupo já estava de pé para preparar o café e na seqüência levantar o acampamento. O domingo amanheceu completamente nublado e com temperatura mais baixa do que tivemos no sábado, anunciando uma “virada” no tempo.
Após desmontarmos tudo, retomamos o caminho pela beira da Lagoa dos Patos na direção norte, até o acesso à cidade de Tavares, onde abastecemos as viaturas e decidimos o programa do dia.
A idéia era visitar a Lagoa do Peixe cruzando a estrada do Talhamar, que liga a RST-101 à beira do mar, e depois visitarmos o farol de Mostardas.
O grupo entrando na "estrada do Talhamar".
A estrada do Talhamar na verdade é uma trilha de terra que corta o PN da Lagoa do Peixe atravessando pequenos pontilhões, áreas de banhado e dunas num visual encantador. Alias, são as dunas o grande problema deste acesso, pois só é possível atravessar o cordão de dunas com carros 4x4 e bastante cautela, como veremos adiante.
Para onde quer que olhe durante o trajeto da estrada do Talhamar, muitos banhados, muitas aves, bandos de pássaros de várias espécies, um colirio para os olhos. Estamos adentrando o interior do Parque Nacional da Lagoa do Peixe e entrando em contato direto com sua beleza e sua rica e diversificada fauna.

Paramos em uma das pontes de madeira antes de chegar às dunas, para uma clássica sessão de fotos do grupo reunido. Alguns aproveitaram para “brincar” um pouco com os jipes nos banhadinhos próximos à ponte, e seguimos em frente até o cordão de dunas.
Como em todo acesso à beira do mar nesta região, é preciso atravessar um cordão mais ou menos longo de dunas que separa os banhados da areia da beira da praia.
Normalmente existem caminhos por entre as dunas, onde é possível rodar com relativa tranqüilidade e segurança, mesmo com veículos normais 4x2, desde que a areia esteja seca. De toda forma é uma empreitada arriscada e o bom mesmo é somente encarar esta travessia com veículos 4x4.
Entramos nas dunas tracionados 4x4, seguindo a “trilha” existente e também contando com a ajuda do GPS para nos guiar até o outro lado, ou seja a beira do mar. Tudo muito tranqüilo, tanto que logo a turma abandonou a cautela e resolveu brincar um pouco subindo e descendo as dunas.
Não demorou muito para termos uma pequena “plantação” de jipes enterrados na areia.....eu mesmo cometi um erro besta, uma tremenda "braçada" e subi rapidamente uma duna, sem saber o que tinha do outro lado e acabei preso numa espécie de “bacia” entre um conjunto de dunas, com os pneus enterrados até a metade na areia fina e o jipe inclinado na lateral da duna, quase virando.

O socorro foi extremamente complicado, pois a estas alturas mais gente estava enterrada na areia e foi preciso primeiro desatolar os jipes mais preparados para então alguém me ajudar a sair daquela furada.

Depois de muito trabalho, muito cavar areia e muito guincho, conseguimos finalmente “recuperar” todos os Vitaras, mas tínhamos uma baixa importante: o Vitara do Mauricio estava sem embreagem, que aparentemente não suportou o esforço nas dunas e pediu aposentadoria..........
Uma breve reunião de grupo e todos optamos por abortar a missão e acompanhar o Mauricio de volta a Tavares, de onde o Vitara voltou a Porto Alegre de guincho. Como os ânimos da turma já estavam meio abatidos àquela altura, acabamos todos decidindo seguir de Tavares diretamente para Porto Alegre. Pela frente, os mil e um buracos da RST-101 até Capivari.
Voltamos “vencidos” pelas dunas do Talhamar, cansados, mas felizes por mais esta expedição entre amigos, trazendo na lembrança as paisagens desta região isolada da Lagoa dos Patos e as histórias do nosso acampamento à beira da lagoa, com direito a fogueira e filé de traíra frito ! Mais uma vez, fizemos o final de semana “valer a pena” !!!!!!!!

6 comentários:

  1. Arlei,
    Grande relato! Parabéns!

    Eu e o Renan lemos juntos toda a narração e bateu aquela saudade de sair por aí, sem rumo e somente com a certeza de aproveitar tudo que a natureza ainda oferece, principalmente a bordo de um 4X4.
    Temor que reeditar esta aventura e aproveitar para conhecer mais ao sul da Lagoa dos Patos.

    Abração
    Maurício e Renan

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  2. Muito Show o relato e fotos
    Aproveito para me candidatar de batedor na proxima Aventura com a minha Moto.
    Abraço a todos participantes !

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  3. Boa noit, sou natural d tavares e moro em poa desd meus 12 anos, e nos ultimos tempos comprei um del rey guia q é um instrumento para a gent cair na estrada, logo quando levei minha esposa para conhecer a lagoa dos patos em tavares, lugar onde nasci, ela deu na doida de se apaixonar pela lagoa ond inventou de comprar um terreno bem naquele ponto que vcs entraram para ir para tavares, agora la ja tem vareas casas, ainda nao fizemos a nossa mas com tempo sera erguida a nossa tambm, agora nos feriadao nao tem outro lugar que minha espósa queira ir que nao seja pra la, feriadao de carnaval, de pascoa, e as vzs vamos nos sabado denoit para voltar no domingo denoite, e o lugar te garanto continua lindo, so em relacao aos buracos do asfalto que agora vc nao escolhe onde desviar mais sim em qual deles se atirar, mas podem ir mais vezs vizitar por que estao arrumando e o trexo ruim e pqueno, vale a pena, mesmo nao tendo um 4x4 mais tmbm faço meus rally pela beira da lagoa, claro que normalment preciso de ajuda para sair das areias, pois é um dos motivos de cair na risada em ver o del rey atolado ate encostar o motor no chao, o bixo é q nem tatu, nao pod ver uma cama de areia que comessa a cavar e querer entrar terra a dentro, da ultima vez um grupo de bugueiros muito prestativos me tirou de uma destas camas de areia fofa, atolado ate o parachoque encostar no chao, mais um bugao com motor de santana encostou e foi como ele tivece puchando um graveto da areia, é muito bacana encontrar o pesssoal nesta situasao e ser ajudado e poder ajudar quando é com os outros tambm, sim pois eu nao sou o unico a entrar nessas, vou preparar um link para que vcs tmbm tenhao acesso as nossas fotos tambm para contemplar algumas paisagens captada por nois, e quanto a de vcs ta um show, muito bela as fotos que vcs conseguiram captar, ja faz tempinho que tiveram la, ta na hra d uma nova aventura né, desejo boa sort e boas captura em todas as aventurar em que vcs resolverem cair, um abraco de Carlos e Katia

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  4. Caro Arlei, parabéns pela matéria e principalmente pelas belas fotos da região da Lagoa dos Patos.
    Sou natural de São Lourenço do Sul, técnico em eletrônica, pescador nas horas de folga e blogueiro com paixão por essa terra ( Lagoa dos Patos ).
    Tenho um blog: http://pescanalagoa.blogspot.com e gostaria de lhe propôr uma parceria entre nossas páginas à fim de captar mais visitantes, pessoas que gostam de natureza e tudo o que ela pode nos oferecer. Colocarei um banner seu no meu blog e você coloca um link meu no seu, também estou me cadastrando como seguidor do seu blog e se você fizer o mesmo no meu, agradeço.
    Creio que será bom para ambos.
    Aguardo sua resposta.
    E-mail: giosb69@hotmail.com
    Um abraço.

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  5. Lindaço demais, sobretudo para quem bem conhece a área.
    O camarada soube descrever muito bem.
    Bruno

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  6. Olá Arlei,
    De fato, o lugar é lindo e como mencionou, o acesso é pra poucos, mas ficou o desejo de quem sabe um dia poder conhecer esse pedaço de paraíso pessoalmente. Abraço.

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