"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor."

Amyr Klink

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"POR AI" 07 - CAIS DO PORTO, PORTO ALEGRE

   Porto Alegre é uma cidade de muitos recantos, e diversos encantos. Dentre eles, um de meus preferidos é o CAIS DO PORTO, lugar perfeito para curtir o Rio Guaiba, com calma, mais silencio e menos agito do que na região da Usina do Gasometro, por exemplo.

  O cenário de tranquilidade à beira do Guaiba convida para uma caminhada pelos velhos armazéns...


   Os guindastes imponentes ajudam a compor o cenário.


O convite está feito...........o velho Guaiba nos chama a sentar e calmamente deixar o tempo passar admirando o trafego de barcos, lanchas, navios, e perceber a capital sob uma nova perspectiva, um novo angulo talvez menos conhecido mas extremamente interessante.



E, ao final de mais uma visita ao Cais do Porto, vem sempre o questionamento: como pôde Porto Alegre prescindir do convívio com seu rio ? Sou mais um dos que se alinham na torcida pela revitalização e devolução da região do Cais do Porto à população da capital.








terça-feira, 7 de agosto de 2012

ANTÔNIO PRADO, JULHO DE 2012


  Antonio Prado, distante 180 km da capital Porto Alegre e 50 km de Caxias do Sul, se denomina a “Cidade Mais Italiana do Brasil”.
  Frases de efeito e slogans marqueteiros à parte, o fato é que a pequena cidade de Antonio Prado, encravada nos altos da Serra Gaucha a 650m de altitude e com população de 12.800 hab (2010), tem como seu maior atrativo o conjunto de construções históricas tombadas pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde a década de 1990.
  E foi para conferir as construções históricas e absorver um pouquinho da cultura dos imigrantes que subi a serra e fui conhecer Antonio Prado.

Um pouco sobre as origens do município de Antonio Prado:

Simão David de Oliveira foi o primeiro cidadão que, por volta de 1880, se estabeleceu na margem direita do Rio das Antas. Viera a pé de São Paulo, penetrando no território gaúcho por Vacaria. A seguir, desceu até o Rio das Antas, donde prosseguiu caminho até encontrar um lugar aprazível para construir seu rancho. Era o único trecho de terras planas, junto a foz do Rio Leão e do Arroio Tigre, por onde depois, em princípio de 1886, foi aberta a primeira picada que dava acesso a nova colônia italiana chamada Antônio Prado. Essa picada conhecida como Passo do Simão teve seu nome escolhido em homenagem a Simão David de Oliveira.

Antônio Prado foi a sexta e última das chamadas "antigas colônias da imigração italiana", e foi fundada em maio de 1886. Apartir daí, criada a nova colônia, começaram a ser destinadas verbas públicas para abertura de estradas, construção de balsas, medição de terras, construção de barracões, transporte e acolhimento dos colonos.
Apesar dos importantes acontecimentos políticos pelos quais o país passava, como a proclamação da República e a Revolução Federalista em 1893, não houve interferência no processo de implantação de imigrantes em terras devolutas e cobertas de matas da Serra do Rio das Antas.
A revolução de 1893, agitando violentamente quase todos os recantos do estado, pouco podia interferir numa colônia recém-fundada, alcandorada entre paredões, sem estradas, animais de transporte e sem outros recursos econômicos, humanos e financeiros.
Deixando de lado as agitações políticas que abalavam o país, a inspetoria e as comissões de medição de lotes e as de terras e colonização, prosseguiram seu patriótico trabalho de estabelecer mais de mil famílias no território do atual município de Antônio Prado.


  Para se chegar a Antonio Prado a partir de Caxias do Sul, o caminho natural é seguir pela RS-122 por estrada asfaltada e bem conservada.
  Eu optei por um caminho diferente, muito mais interessante e longo, perfeito para quem está a passeio, sem pressa de chegar ao destino.

  A partir da RS-453 ou “Rota do Sol”, próximo ao acesso aos pavilhões da Festa da Uva, entra-se à esquerda para seguir pelo roteiro chamado de “Caminhos da Colonização” - http://www.floresdacunha.com.br/turismo.php?c=50 - cruzando as regiões rurais de Caxias e Flores da Cunha, passando pelas localidades de Santa Justina, Otavio Rocha e outros até sairmos na estrada que nos leva ao pequeno município de Nova Padua.


   Por este caminho, passamos por pequenas igrejas e capelas, singelos capitéis à beira da estrada, fazendo lembrar da fé e religiosidade do imigrante italiano, e como não poderia deixar de ser , muitos parreirais, por todos os lados.



  Como estamos em pleno inverno, os vinhedos estão secos, e o visual é completamente diverso do que se veria durante o verão quando o verde volta e os cachos de uva brotam impregnando o ar com seu inconfundivel aroma. É um passeio que sem sombra de dúvida vale a pena refazer durante a época da vindima, da colheita da safra da uva, nos meses de janeiro e fevereiro.


  Em Nova Pádua a dica é o almoço no Restaurante Panoramico Belvedere Sonda, onde se tem uma maravilhosa vista do Rio das Antas. O cardápio é o tradicional “almoço colonial italiano”, ou seja massas, polenta, queijos, copa, galeto, costelinha de porco, saladas, etc etc.


  O caminho segue agora descendo as encostas da serra em direção ao Rio das Antas por uma estradinha de terra estreita mas bem conservada até o “passo” onde cruzamos o rio conduzidos por uma pequena e inusitada balsa movida pela força do braço humano e auxilio de alavancas e cabos de aço, nos proporcionando uma travessia tranquila e deliciosamente silenciosa pela ausência completa de ruido de motores.


  Uma vez na outra margem do rio, segue-se subindo por 7 km de estradinha de terra até a pequena cidade de Nova Roma, passando no caminho pelo mirante da Usina Hidreletrica Castro Alves.


  De Nova Roma segue-se por mais 28 km de estrada nova de aslfalto até finalmente chegarmos ao destino final, a cidade de Antonio Prado.

  A cidade de Antonio Prado em si é bastante pequena e calma, e as atrações estão concentradas basicamente em algumas quadras da avenida principal e no entorno da igreja matriz. Portanto, a pedida é estacionar o carro e percorrer a pé a avenida principal admirando as construções históricas tombadas e de modo geral muito bem preservadas e mantidas.


  Para hospedagem, existe dois hotéis na avenida principal, e mais algumas pousadas em estilo “pousada rural” no interior do município.
  Eu optei pelo Hotel Pradense - http://www.hotelpradense.com.br/, excelente opção em termos de custo x beneficio, limpo, aconchegante, e suficientemente confortavel, sem luxos. Os quartos do sótão tem um “charme a mais”...e vale a pena pedir por um ao se registrar com o atencioso pessoal da recepção.

  Devidamente instalado, hora de explorar a cidade com a câmera na mão em busca das melhores imagens do casario colonial. Muitos destaques, muita coisa bonita para fotografar.


A igreja matriz:



A prefeitura municipal;


As belas construções históricas:







A Casa Palombini, que abriga uma farmácia, é uma das poucas construções históricas construídas em alvenaria;


Em cada casa, uma placa contando um pouco da história por trás das paredes centenárias;


Esta é provavelmente a mais conhecida e certamente uma das mais bonitas, Casa Bocchese ou “Casa da Neni”, onde hoje no piso térreo há uma pequena loja de artesanato local que vale a pena conhecer e claro levar umas lembrancinhas.



A “Società del Mutuo Soccorso”, pioneira espécie de instituição de apoio ao imigrante;


Esta é uma das que mais gostei;


  Finalmente, saindo de Antonio Prado em direção à RS-122 vale a pena percorrer outro caminho alternativo, chamado de “Caminhos da Imigração”, onde cruzamos com mais exemplares de construções da época da colonização da região, encerrando com chave de ouro o fim de semana na "Cidade Mais Italiana do Brasil".




terça-feira, 10 de abril de 2012

SÃO FRANCISCO DE PAULA, MARÇO DE 2012


  Dentre as cidades serranas gaúchas, uma de minhas preferidas é São Francisco de Paula, carinhosamente chamada “São Chico” pelos seus habitantes e visitantes habituais.
  
  Localizada a 112 km de Porto Alegre com acesso pela RS-020 a partir do vale do Sinos e da cidade de Taquara, São Chico tem uma população de 20.100 hab. (2010) e pode ser considerada a “porta de entrada” da região dos Campos de Cima da Serra, pois é exatamente no território de São Francisco de Paula onde a paisagem se alterna mudando das escarpas e serras cobertas por resquícios da Mata Atlântica para os campos limpos e capões típicos dos Campos de Cima da Serra.

  No fim de semana do dia 18 Mar mais uma vez subi a serra para “matar a saudade” de São Chico e suas atrações.
  Para quem se dispõe a visitar a cidade pela primeira vez ou busca mais informações sobre as atrações turísticas, hotéis e restaurantes da cidade, uma ótima fonte de informação é o site www.saochico.com.br           

  Na subida da serra pela RS-020, após o município de Taquara, optei por um “desvio” para conhecer a região colonial de Padilha, distrito de Taquara, caracterizado pelas inúmeras estradinhas de terra cortando os vales e montanhas que antecedem São Francisco de Paula e que marcam a transição entre o Vale do Paranhana e os Campos de Cima da Serra.


   Logo no inicio do trajeto, uma atração que vale a pena conhecer é a Cascata Caloni ou “Cascata dos Italianos”, a pouco mais de 3 km do asfalto da RS-020. O acesso é feito por uma interminável e cansativa escadaria......mas no final vale a pena o esforço físico quando se chega à base da cascata.


   De volta à estrada cruzamos pela pequena localidade de Padilha, encravada em meio às montanhas ao pé da serra.


   A paisagem ao redor.......muitas montanhas, subidas e descidas, e claro, muita estradinha de terra.



  Chegando a São Chico, providenciamos um ótimo almoço na Trattoria Pasta Nostra, casa de massas tradicional na cidade e que recomendo veementemente a todo visitante.

  Após o almoço encaramos os 16 km de estradinha esburacada e estreita que separam o centro de São Chico da Barragem do Blang, uma das inúmeras atrações turísticas da cidade (aqui por atração turística entenda-se natureza, cascatas, paisagens de campo e mata, nenhum paralelo com as “atrações comercias” oferecidas ao turista em Gramado por exemplo).


  A Barragem do Blang é operada pela CORSAN e foi finalizada em 1958, tendo 17 m  de altura, 720 m de comprimento e capacidade de acumulação de 50.000.000 m³.
Faz parte do sistema SALTO de geração de energia, estando interligada a mais dois reservatórios / barragens localizadas próximas, que são as barragens da Divisa e do Salto.
A barragem e seu entorno proporcionam belas imagens:






  Voltando a São Chico rumamos diretamente ao nosso hotel. Escolhi o tradicional hotel Cavalinho Branco com seu prédio e instalações antigas, mas com dependências sempre limpas e bem cuidadas. Obviamente existem hotéis mais luxuosos e confortáveis ali mesmo na cidade, mas em termos de charme, é difícil algum outro suplantar o Cavalinho Branco que brinda os hospedes com uma vista inigualável do Lago São Bernardo, a atração turística mais conhecida de São Chico.

  Ao cair da noite, uma indispensável caminhada em torno do lago São Bernardo nos brinda com um gostoso friozinho tipicamente serrano e belas imagens:



  Na manhã seguinte, café da manhã, chimarrão preparado, e a pedida é uma volta completa no entorno do Lago São Bernardo, aproveitando a iluminação perfeita do sol da manhã para registrar algumas imagens deste cantinho muito especial da serra gaúcha.


   O antigo e bonito prédio do hotel Cavalinho Branco é sempre uma atração à parte.


   À beira do lago, uma pista de caminhada, calçadas bem cuidadas e muitos bancos e mesinhas convidam a um chimarrão, um bom papo, ou simplesmente sentar-se e deixar o tempo correr admirando a paisagem.






  Para o almoço, escolhemos a lancheria e café anexa à Livraria Miragem. A livraria em si já mereceria um post só falando dela, não apenas pela diversidade e bom gosto das obras disponíveis, mas pelo belíssimo prédio construído para abrigar a livraria.

 Sonho, ou projeto de vida, da professora aposentada Luciana Olga Soares, a Livraria Miragem é uma das atrações turísticas imperdíveis de São Chico e que precisa ser visitada com calma e bastante tempo, para curtir cada estante, cada cantinho de suas dependências.
O café anexo à livraria oferece aos clientes uma diversidade de pratos, lanches, sucos e cafés baseados no princípio da cozinha natural, sem produtos industrializados, refrigerantes, e abrindo mão da carne animal. A pizza de tomates secos e servida sobre pão árabe e o hamburger vegetariano são excelentes opções.

  Após o almoço fomos visitar o Parque das 8 Cachoeiras, com acesso a partir do Lago São Bernardo. Para chegar ao parque o visitante encara um curto trajeto de pouco mais de 2 km por estrada parcialmente pavimentada, mas de toda forma em ótimas condições de conservação.

  O parque abriga além das cachoeiras, a opção de hospedagem em ótimas e confortáveis cabanas, construídas recentemente. 


  Aqui o grande atrativo é a vista maravilhosa das cabanas construídas inteligentemente com suas varandas e decks voltados para o vale.



   A visitação ao parque é paga (R$ 10,00 por pessoa), mas vale MUITO à pena. As trilhas de acesso às cachoeiras estão muito bem demarcadas e conservadas, tornando as caminhadas seguras e tranqüilas.

  Das oito cachoeiras existentes na área do parque, apenas duas são acessíveis por caminhada curta e relativamente rápida a partir da sede do parque. A Cachoeira do Remanso é a primeira delas e a de acesso mais fácil.


  Um pouco mais difícil e longa é a caminhada até a Cachoeira Escondida, ainda assim de acesso fácil e seguro.



  As demais cachoeiras, como avisam as placas informativas ao longo das trilhas, requerem maior preparo físico, disposição e principalmente tempo para serem visitadas.


  De toda forma, é impossível visitar toda a extensão e as atrações do parque em apenas um dia, portanto se a idéia é se aventurar pelas extensas trilhas e conhecer todas as cachoeiras do parque, ao menos dois dias devem ser reservados.

  Feita a visita ao Parque das 8 Cachoeiras, encerramos nosso fim de semana em grande estilo, cansados mas de alma lavada.


  São Francisco de Paula é daqueles lugares que a gente fica com saudade já na partida, e vai embora já planejando a próxima visita, e foi com este “espirito” que descemos a serra de volta para casa após dois revigorantes dias nas terras de São Chico.