"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor."

Amyr Klink

quinta-feira, 8 de julho de 2010

SANTO AMARO E BARRAGEM DE AMAROPOLIS

Muitas vezes, deixando de lado os roteiros comerciais de turismo e os destinos consagrados, e olhando mais a fundo o mapa e a história de nosso estado, nos deparamos sem querer com gratas e inesperadas surpresas.

Foi exatamente assim com a vila de Santo Amaro, distrito do município de General Câmara e distante 85km de Porto Alegre com acesso pela RS-244, passando por Charqueadas e São Jerônimo.

Inicialmente atraído pela Barragem Eclusa Amaropolis, não pude deixar de me surpreender ao visitar pela primeira vez a vila de Santo Amaro.

Um pouco de história:

Em 1750, o General Gomes Freitas de Andradas estabeleceu armazém para abastecer os portugueses que subiam o rio Jacuí rumo às Missões.
Santo Amaro foi elevada à condição de freguesia em 1773 para, em 1809, ser incorporada ao recém criado município de Triunfo e, em 1849, ao de Taquari.
Em 1881 é elevada a categoria de município.
Em 1939, após a instalação do Arsenal de Guerra do Exercito Brasileiro, tem sua sede transferida para a margem do Rio Taquari, onde atualmente se localiza a sede do município de General Câmara. A vila de Santo Amaro estava condenada ao esquecimento.
A praça central com uma enorme figueira (onde o personagem Rodrigo Cambará atava o cavalo quando ia tomar umas biritas no boteco, no filme ‘Um certo capitão Rodrigo’), a velha Igreja Matriz — a terceira mais antigo no Estado — e o conjunto de casas bicentenárias em estilo açoriano serviram de locações em 1971 para as gravações do filme ‘Um certo capitão Rodrigo’, retratando a parte mais emocionante do romance ‘O tempo e o vento’, de Érico Veríssimo, e dirigido por Anselmo Duarte.


Grande parte das edificações existentes na vila fazem parte do conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e tiveram importante função no passado ou serviram de moradia para personagens históricos.Na quadra dos fundos da igreja se encontra o casarão onde nasceu em 12 e abril de 1773 o herói farroupilha e primeiro presidente da República Rio-Grandense, José Gomes de Vasconcelos Jardim.

Perto do balneário do Coqueiro, está o sobrado que pertenceu ao chefe do exército Imperial durante a Revolução Farroupilha, Chico Pedro, um dos mais temidos pelos farrapos.

Pois foi justamente este viés histórico, presente no bem conservado casario em estilo açoriano e na belíssima igreja datada de 1787 que mais me chamou a atenção.


Ao caminhar calmamente pela praça em frente à igreja, ou ao contornar a quadra que dá acesso aos fundos do antigo prédio, o tempo todo nos defrontamos com construções e cenários que nos remetem ao passado de colonização açoriana e de aventuras farrapas.

Não é difícil imaginar ali, naquele prédio de esquina na lateral da igreja, viajantes, comandantes e soldados farrapos amarrando seus cavalos e se recostando à sombra de uma centenária figueira, ou saciando a sede com um trago no armazém.

Seguramente o prédio mais imponente é a belíssima igreja, recentemente restaurada e surpreendentemente bem conservada. No entorno da igreja e na quadra que circunda a praça em frente, diversas construções da época também chamam a atenção e merecem serem vistas mais de perto.







Descendo a rua em frente a igreja na direção do Rio Jacui, encontramos outra atração imperdível de uma visita a Santo Amaro. Localizado num prédio de esquina, o Restaurante Coqueiro, atendido pelo simpático casal de proprietários, serve um maravilhoso buffet de pratos à base de peixes, a maioria pescados no próprio Jacui.

O lambari frito é o acompanhamento mais do que perfeito para uma cerveja bem gelada, mas ainda temos no cardápio ensopados, filés fritos e ao molho escabeche, bolinhos de peixe entre outras delicias. Realmente imperdível.
Anexo ao restaurante funciona também uma pousada que costuma ser bastante freqüentada por pescadores que vem a Santo Amaro atraídos pela pesca no rio Jacui.

Finalmente, seguindo até a margem do rio e passando pelo Balneário dos Coqueiros, pouco adiante encontramos a Barragem Eclusa de Amaropolis.

A construção foi iniciada em 1971 e somente concluída em dezembro de 1974 e representou uma obra de vital importância para regularizar a navegação comercial no Jacui.


A eclusa possibilita às embarcações vencerem o desnível da barragem e desta forma seguirem navegando Jacui acima em direção a Cachoeira do Sul.


Apesar de claramente sub-utilizada (a navegação comercial e o transporte fluvial de cargas pelas bacias do Jacui e Taquari a muito deixaram de ser economicamente exploradas em prol do mais oneroso transporte rodoviário que entulha nossas estradas), a barragem se encontra em perfeitas condições de operação e manutenção, e se constitui num belo assunto para diversas fotos.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

TRIUNFO

A cidade de Triunfo, conhecida por ser sede do III Pólo Petroquímico do Sul, guarda também boas atrações para aqueles interessados em pouco da história do nosso estado e na arquitetura da época da colonização açoriana no RS.

Localizada na região metropolitana de Porto Alegre e distando 80 km da capital, é uma bela opção de passeio para uma tarde de sol.
É a terra natal do comandante farrapo Bento Gonçalves e tem fortes vínculos com diversos fatos da Revolução Farroupilha

Um pouco de história:

“Triunfo, terra de nascimento do general Bento Gonçalves, foi palco de várias batalhas e a mais sangrenta delas ficou conhecida como Combate do Fanfa.
Teve início na tarde do dia 02 de outubro de 1836. Bento Gonçalves acampou na Ilha do Fanfa com mil e quinhentos homens. Tinha como meta encontrar a brigada do coronel Domingos Crescêncio, na margem direita do Rio Jacuí.
A esquadra do almirante Greenfell encurralou Gonçalves, ao mesmo tempo que a artilharia abria fogo de terra. O combate encerrou na tarde do dia 4 de outubro, com a rendição de Bento Gonçalves para o comandante Bento Manoel Ribeiro, com baixa de duzentos soldados feridos, cento e vinte mortos. Foram presos, ainda, Onofre Pires, Marciano Ribeiro, Pedro Boticário, José Calvet e outros."
Origens do Rio Grande", ZH, 04 dez 1996”

Situada na confluência dos rios Taquari e Jacuí, a cidade conserva uma boa quantidade de construções preservadas do período da colonização.
Prédios bem mantidos mostram a preocupação da cidade com o patrimônio histórico, enquanto outros desgastados e danificados pelo passar dos séculos, permanecem em pé e resistem à demolição, aguardando quem sabe o dia de também merecerem a sua restauração.



A atração maior do centro da cidade é sem dúvida a praça central e a belíssima Igreja Matriz Bom Jesus, datada de 1754, ambos localizados de frente para o rio Jacui, e próximos à lancha que faz a travessia de pedestres para a cidade de São Jerônimo, na margem oposta.



Como a cidade é pequena, a partir da Igreja Matriz vale a pena uma caminhada pelas quadras em seu entorno e por fim percorrer a belíssima rua que acompanha o rio, apreciando e fotografando com bastante calma o casario do período colonial.


Uma ótima pedida é sentar à sombra dos plátanos num dos bancos na calçada e admirar sem pressa o rio, se deixando transportar no tempo, inspirado pela atmosfera “Brasil Colônia” da cidade.



terça-feira, 6 de julho de 2010

FARÓIS CRISTOVÃO PEREIRA E CAPÃO DA MARCA, NOVEMBRO DE 2008

Nos dias 29 e 30 de Novembro de 2008, reunimos parte do grupo de amigos que formou a expedição “Ao Sul do Sul” ligando Dunas Altas ao Chui pela praia em abril de 2008, para um novo desafio pelas areias da região de Mostardas.

A aventura desta vez consistia em visitar os faróis Cristóvão Pereira e Capão da Marca, ambos localizados em pontos extremamente isolados da margem leste da Lagoa dos Patos, entre os municípios de Mostardas e Tavares, e acessíveis somente pela beira da praia em veículos tracionados, motos ou a cavalo.

O ponto de encontro e partida da expedição foi o posto de pedágio da RS-040 em Águas Claras, Viamão. Pouco depois das 6:00h da manhã eu já estava lá, aguardando a chegada dos demais participantes do passeio: Leo Frederes (Vitara), Mauricio e seu filho Renan (Vitara), Marcelo e o “chefe” Gerbase na função de “zequinha-fotógrafo” da expedição (Sidekick) e finalmente o Rodrigo e esposa Andressa (Vitara).
Após reunirmos os participantes e tomarmos algumas cuias de chimarrão, pegamos a estrada com destino a Mostardas, num trecho de 170 km até o trevo de acesso à cidade.
Tocamos direto pelo asfalto (ou que sobrou dele) da RST-101 até o acesso à estrada do Rincão Cristóvão Pereira, localizada 15 quilômetros após a cidade de Mostardas, onde chegamos por volta das 10:00h da manhã.

A RST-101, antiga "estrada do inferno", não virou exatamente um "paraíso" após o asfaltamento.

A estrada do Rincão dá acesso á beira da Lagoa dos Patos e serve de caminho para chegarmos ao farol Cristóvão Pereira. Do asfalto da RST-101 até a beira da lagoa são 22 km, por estradão de areia e muitas vezes por dentro do campo mesmo...com tempo seco este trecho pode ser vencido com tranqüilidade em pouco mais de 30min., porém com chuva dizem que é uma cópia fiel do que um dia foi a temida “estrada do inferno”, ou seja muito barro e areia, muito atoleiro.
Ao chegar à beira da Lagoa dos Patos já é possível avistar bem longe no horizonte a silhueta do Farol Cristóvão Pereira.
Não pude deixar de me emocionar, afinal estava ali, realizando um sonho adiado desde o momento em que decidi ter um 4x4 vários anos atrás, que era conhecer o farol Cristóvão Pereira.

O tempo limpo, de temperatura agradável, sol ameno e céu azul motivaram a turma para a tradicional sessão de fotos à beira da lagoa. Após a sessão de fotos, seguimos na direção sul costeando a lagoa.
Neste trecho o trajeto acabou sendo bem mais fácil e tranqüilo do que eu esperava. Já havia lido e ouvido muita coisa sobre os perigos e desafios da beira da Lagoa dos Patos, porém para nossa sorte (ou azar, dependendo do ponto de vista) o tempo bom aliado à época de poucas chuvas deixou uma “avenida” na beira da lagoa, com pequenos alagados e áreas de areia fofa para dar o tom da diversão, enfim, nada de complicado para nossas viaturas.
Mesmo assim, o colega Rodrigo conseguiu atolar o jipe ao entrar numa área de areia fofa junto à beira da água, mostrando o quanto são traiçoeiras as areias da beira da lagoa e o quanto é perigoso se aventurar por aquelas bandas sozinho, em apenas 01 jipe.
Nestes momentos a gente fica querendo que o Vitara tivesse um pouco mais de motor, pois se entrar na areia fofa sem embalo ou com o motor em baixo giro, o jipe perde força e fica mesmo. A receita é usar a reduzida a maior parte do tempo, pisar firme e entrar nos banhados embalado, e “tome” pé no acelerador e água espirrando pra todo lado!
De toda forma, atolar e ajudar os companheiros a sair das "frias" faz parte da diversão de se andar num 4x4.........

Após desatolarmos o Vitara do Rodrigo, seguimos em frente. A lagoa estava bem recuada, deixando uma boa faixa de praia facilitando o trajeto pela areia.

À medida que avançamos na direção sul pela beira da praia, o Cristovão Pereira surge cada vez mais perto e mais imponente no horizonte.

Com a relativa facilidade de se andar pela beira da lagoa, percorremos os 9 km de beira de lagoa até o farol, em pouco mais de 1 hora, sem pressa, parando para muitas fotos, curtindo a paisagem.

Finalmente chegando ao farol em torno de 11:30h da manhã.

O farol de Cristóvão Pereira foi construído em 1858 para auxiliar na navegação da Lagoa dos Patos, e é uma atração especial pelo formato peculiar de sua torre de 30 m de altura, que diferentemente da maioria dos faróis cujas torres são de seção circular, possui seção quadrada. Uma boa matéria sobre o farol pode ser lida em: http://www.popa.com.br/imagens/04-04

Além disto o farol também surpreende por estar localizado praticamente “dentro da água”, numa espécie de extensão de areia que forma uma península muito estreita, apropriadamente conhecida pelo pessoal da região de “ponta do Cristóvão Pereira”, e também pelo isolamento do ponto onde está localizado.
O acesso é feito somente pela beira da lagoa, no trajeto que havíamos acabado de fazer, ou por dentro de fazendas particulares atravessando áreas de plantações de pinus.

Apesar do (ou em função do) isolamento, o farol Cristóvão Pereira é destino frequente de velejadores, jipeiros, motociclistas, pescadores e outros aventureiros que se animam a enfrentar os desafios da beira da Lagoa dos Patos para conhecê-lo. Talvez em função disto, esteja surpreendentemente muito bem conservado, com sua torre pintada de um branco impecável.


Aproveitamos a parada para mandarmos ali mesmo um lanche improvisado à sombra do farol, e depois uma longa caminhada de reconhecimento e sessão de fotos, tendo sempre o Cristóvão Pereira como pano de fundo na paisagem.

Após o Cristóvão Pereira, nossa meta era atingir o farol do Capão da Marca, já no município de Tavares, distante 28 km em direção sul do Cristóvão Pereira pela beira da lagoa, e montar lá nosso acampamento. Da mesma forma que o trecho até o Cristóvão Pereira, a beira da lagoa até o Capão da Marca não ofereceu maiores desafios além dos tradicionais alagados de beira de praia e pequenos trechos de areia fofa.

Este trecho foi cumprido em aproximadamente 1h 30min., chegando ao Farol Capão da Marca em torno das 14:00h, um hora antes da nossa previsão inicial.

A subida no farol Capão da Marca descortina a paisagem ao redor, natureza e mais natureza, praias desertas, a linda Lagoa dos Patos em uma de suas regiões mais isoladas.


Nossa primeira tarefa foi definir o local para montarmos o acampamento. Após algumas latinhas de cerveja bem gelada e muita discussão, optamos por montar nosso acampamento sob um capão de eucaliptos bem ao lado do farol, em função da sombra e também de ser o local mais abrigado contra o vento que soprava muito forte já durante a tarde e certamente aumentaria bastante a noite, como é comum à beira da lagoa.
Também definimos o local e preparamos nossa fogueira que seria acesa na entrada da noite, afinal acampamento sem uma fogueira não é acampamento.
Barracas montadas e bem amarradas contra o vento, resolvemos encarar a lagoa. Apesar do vento muito forte e da água gelada, encaramos um divertido banho nas águas frias e limpas da Lagoa dos Patos.
Após o banho na lagoa, os colegas Mauricio e Leo resolveram catar uns lambaris para iscar. Fui junto, apesar de não saber pescar. O Mauricio com toda sua experiência logo encontrou uma vala de irrigação que prometia, e “lavou a égua” tendo várias ações com as traíras dentuças. Em pouco mais de 1 hora, foram umas doze traíras, todas de pequeno porte. O frito da janta estava garantido!

De volta ao acampamento, esperamos a noite cair para acendermos nosso "fogo ancestral".

O grupo reunido na hora da bóia, file de traira frito, bifes na chapa, e muito, mas muito vento na beira da lagoa.

Após a janta a conversa rolou animada em volta da fogueira até tarde. Impressionante a beleza de uma noite estrelada à beira da lagoa, em um lugar isolado como o que estávamos ali, longe de qualquer sinal de energia elétrica, barulhos etc.........somente o forte ruido do vento a nos acompanhar.
Definitivamente esta era uma visão muito especial que fica guardada para sempre na memória de cada um de nós.
A noite não foi das mais confortáveis, em parte pela falta de costume com a barraca e o saco de dormir, mas principalmente pelo barulho forte do vento absurdo que soprava e parecia que ia arrancar a barraca do chão. Mas como o cansaço era grande em função do dia longo e agitado, todos dormimos bem.

A função no domingo começou cedo, pouco depois das 7:00h o grupo já estava de pé para preparar o café e na seqüência levantar o acampamento. O domingo amanheceu completamente nublado e com temperatura mais baixa do que tivemos no sábado, anunciando uma “virada” no tempo.
Após desmontarmos tudo, retomamos o caminho pela beira da Lagoa dos Patos na direção norte, até o acesso à cidade de Tavares, onde abastecemos as viaturas e decidimos o programa do dia.
A idéia era visitar a Lagoa do Peixe cruzando a estrada do Talhamar, que liga a RST-101 à beira do mar, e depois visitarmos o farol de Mostardas.
O grupo entrando na "estrada do Talhamar".
A estrada do Talhamar na verdade é uma trilha de terra que corta o PN da Lagoa do Peixe atravessando pequenos pontilhões, áreas de banhado e dunas num visual encantador. Alias, são as dunas o grande problema deste acesso, pois só é possível atravessar o cordão de dunas com carros 4x4 e bastante cautela, como veremos adiante.
Para onde quer que olhe durante o trajeto da estrada do Talhamar, muitos banhados, muitas aves, bandos de pássaros de várias espécies, um colirio para os olhos. Estamos adentrando o interior do Parque Nacional da Lagoa do Peixe e entrando em contato direto com sua beleza e sua rica e diversificada fauna.

Paramos em uma das pontes de madeira antes de chegar às dunas, para uma clássica sessão de fotos do grupo reunido. Alguns aproveitaram para “brincar” um pouco com os jipes nos banhadinhos próximos à ponte, e seguimos em frente até o cordão de dunas.
Como em todo acesso à beira do mar nesta região, é preciso atravessar um cordão mais ou menos longo de dunas que separa os banhados da areia da beira da praia.
Normalmente existem caminhos por entre as dunas, onde é possível rodar com relativa tranqüilidade e segurança, mesmo com veículos normais 4x2, desde que a areia esteja seca. De toda forma é uma empreitada arriscada e o bom mesmo é somente encarar esta travessia com veículos 4x4.
Entramos nas dunas tracionados 4x4, seguindo a “trilha” existente e também contando com a ajuda do GPS para nos guiar até o outro lado, ou seja a beira do mar. Tudo muito tranqüilo, tanto que logo a turma abandonou a cautela e resolveu brincar um pouco subindo e descendo as dunas.
Não demorou muito para termos uma pequena “plantação” de jipes enterrados na areia.....eu mesmo cometi um erro besta, uma tremenda "braçada" e subi rapidamente uma duna, sem saber o que tinha do outro lado e acabei preso numa espécie de “bacia” entre um conjunto de dunas, com os pneus enterrados até a metade na areia fina e o jipe inclinado na lateral da duna, quase virando.

O socorro foi extremamente complicado, pois a estas alturas mais gente estava enterrada na areia e foi preciso primeiro desatolar os jipes mais preparados para então alguém me ajudar a sair daquela furada.

Depois de muito trabalho, muito cavar areia e muito guincho, conseguimos finalmente “recuperar” todos os Vitaras, mas tínhamos uma baixa importante: o Vitara do Mauricio estava sem embreagem, que aparentemente não suportou o esforço nas dunas e pediu aposentadoria..........
Uma breve reunião de grupo e todos optamos por abortar a missão e acompanhar o Mauricio de volta a Tavares, de onde o Vitara voltou a Porto Alegre de guincho. Como os ânimos da turma já estavam meio abatidos àquela altura, acabamos todos decidindo seguir de Tavares diretamente para Porto Alegre. Pela frente, os mil e um buracos da RST-101 até Capivari.
Voltamos “vencidos” pelas dunas do Talhamar, cansados, mas felizes por mais esta expedição entre amigos, trazendo na lembrança as paisagens desta região isolada da Lagoa dos Patos e as histórias do nosso acampamento à beira da lagoa, com direito a fogueira e filé de traíra frito ! Mais uma vez, fizemos o final de semana “valer a pena” !!!!!!!!